O governo do Ceará e os policiais militares e bombeiros do Estado devem se reunir nesta segunda-feira (2) para negociar uma saída para a paralisação da categoria, iniciada na última quinta-feira.

Será a segunda tentativa de negociação. Outra reunião, no dia 30, terminou sem resultado.

O governo cearense decretou situação de emergência, e a Força Nacional de Segurança e o Exército estão reforçando a segurança no Estado.

Os dois lados divergem sobre o alcance do movimento. Segundo o presidente da Associação de Cabos e Soldados Militares do Ceará, Flávio Sabino, 80% dos mais de 17 mil homens da PM e do Corpo de Bombeiros estão parados.

Ele disse que não há carros de polícia rodando em Fortaleza. "São só as poucas das Forças Armadas e da Força Nacional", disse Sabino, que contabiliza ainda adesão de oficiais à paralisação.

O tenente-coronel Fernando Albano, da assessoria de imprensa da PM, disse que o número de militares parados é uma "inverdade". "Eles têm que fazer isso [aumentar a estimativa]. Quanto mais massifica o número, mais aderem", afirmou.

Albano estima que apenas cerca de 600 PMs estejam parados. Segundo ele, com a ajuda do Exército e da Força Nacional "o policiamento ostensivo geral está mantido". Ele disse que o Réveillon em Fortaleza ocorreu com tranquilidade.

Sob a justificativa de ser uma "questão estratégica", a PM não revela quantos homens do Exército e da Força Nacional estão no Estado. Diz apenas que é número suficiente para garantir a segurança. Se necessário, mais reforços serão chamados.

NEGOCIAÇÃO

Os militares paralisados também reclamam que o governo não está querendo negociar. O líder Sabino afirma que a única proposta feita pelo governo foi anistia disciplinar e administrativa. Os militares pedem jornada de trabalho de 40 horas semanais, reajuste salarial e mudança no sistema de promoções.

"Anistia é consequência do movimento, é uma questão natural de todo ato reivindicatório", disse.

Ele disse que os grevistas estão dispostos a negociar a qualquer momento, contanto que o governo sente para isso.

Cerca de 1.200 grevistas, alguns com mulheres e filhos, estão reunidos em um quartel em Fortaleza. Sobre a ideia de retomar o local, a assessoria da PM disse que "não é interessante um confronto para ninguém".

O tenente-coronel Albano nega que a negociação esteja parada. "A coisa está bem avançada para que tudo se resolva da melhor forma possível", disse. Ele afirmou que, com a proposta de anistia, "já se avançou muito", mostrando que o governo sinaliza com diálogo.