O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, deputado estadual Fernando Toledo (PSDB) – como já sabido e postado neste blog – falou, na manhã de hoje, dia 19, em entrevista ao radialista França Moura – sobre as polêmicas Gratificações por Dedicação Excepcional (GDE).

Toledo ressaltou o fato do deputado João Henrique Caldas, o JHC (PTN), não ter devolvido – ao menos integralmente – o valor das “danadinhas” que foram encaminhadas ao seu gabinete. Caldas foi quem denunciou o pagamento sem critérios das GDEs, que sequer constam em contracheques, apesar de serem recursos destinados a funcionários comissionados excepcionais, como dito na própria nomenclatura do recurso.

Bem, é preciso ouvir JHC. Eu tentei. Mas, o telefone celular chama e ninguém atende. Registrei isto no blog. Mas, mesmo considerando as declarações de Toledo como verdadeiras, o que não se pode é distorcer a gravidade das denúncias, que precisam ser apuradas com rigor, para que se esclareça – em definitivo – para que servem tais gratificações e com o que de fato são gastas.

As declarações de Toledo parecem buscar uma cortina de fumaça para o fato principal. Criar um “disse-me-disse”, ou ainda as declarações polêmicas como se viu logo após as denúncias, que se resumem a trocas de adjetivos de ambos os lados, ou rasas explicações afirmando que tudo ocorre dentro da legalidade. Tratando-se de recurso público é preciso mais que a verbalização de Toledo garantindo a legalidade e a lisura do recurso. Volto a afirmar: é preciso que se preste contas e que o Ministério Público Estadual faça uma investigação minuciosa como pretende.

E aí, quem for podre que se quebre. Afinal, o que JCH levantou – querendo (ou não!) – foi a possibilidade de malversação deste recurso, como se dentro da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas tivesse nascido a “Taturana II, o retorno”. Afinal, a troca de acusações entre deputados estaduais obscurantiza mais a questão que necessariamente esclarece. Vale lembrar que se o assunto colocado de escanteio for; lá na frente nada impede futuras confraternizações onde tudo seja esquecido.

O que interessa para a sociedade – e, portanto deve pautar a imprensa – é a cobrança da prestação de contas de tais gratificações, gabinete por gabinete (o que inclui o de JHC evidentemente), com todos os detalhes possíveis.

Cabe ao presidente Fernando Toledo esse detalhamento, tanto ao Ministério Público Estadual, que entrou no caso, como por meio da própria assessoria de imprensa, para que isto venha a público o mais rápido possível, saindo de vez do campo do obscurantismo e das declarações rasas. Até o presente momento, ainda não foi vista uma entrevista de Toledo que esclarecesse o fato.

O desafio do presidente Fernando Toledo é apresentar o detalhamento do pagamento das gratificações, valores, funcionários que recebem, gabinetes (como já dito), enfim! E explicar ainda por qual razão não constam em contracheques. No mais, a discussão é inócua. O resto é falácia. A GDE na Assembleia é sim um assunto que merece ser esmiuçado e passado a limpo.

Quanto ao fato de JHC ter ou não devolvido os recursos da gratificação, ele que se explique. Tentei contato, mas o espaço continua aberto...
 

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