Falta de informações, desorganização e baderna. Essa foi a tônica da manhã de milhares de passageiros dos ramais Santa Cruz e Japeri, no Rio de Janeiro, que tentaram embarcar em trens da Supervia na manhã desta terça-feira. O problema foi iniciado por uma composição vinda de Santa Cruz, que apresentou problemas na estação na estação de Oswaldo Cruz, uma das primeiras do ramal Deodoro, interditando a linha em ambos os sentidos. Indignados, os passageiros caminharam pela linha férrea até a estação e protestaram contra os constantes problemas no serviço.

Com a pane, a circulação de trens foi interrompida, fazendo com que as estações fossem fechadas e milhares de pessoas não tivessem como chegar ao trabalho. O analista financeiro Aldo da Silva Guilherme ficou preso na estação de Deodoro e relata a manhã de caos nos trens. "Eu peguei o trem em Nova Iguaçu já com 15 minutos de atraso. Durante toda a viagem, o maquinista parava entre as estações e afirmava estar esperando sinalização. Fomos nesse ritmo até Deodoro, quando fomos informados de que a viagem não seguiria", lembrou.

Ainda segundo Aldo, ele conseguiu seguir viagem pela linha auxiliar, mas muitos passageiros não tiveram a mesma sorte e houve confusão: "Depois de esperar algum tempo, um trem seguiu viagem pela linha auxiliar, que não passa em grande parte da Zona Norte. Muita gente que precisava descer nessas estações ficou na estação e houve muito tumulto. Os maiores problemas eram na estação de Oswaldo Cruz, mas também houve confusão em Deodoro".

Já o assistente de informação José Luiz Martins da Silva teve ainda mais dificuldades para seguir viagem até o Centro do Rio. "Peguei o trem do ramal de Santa Cruz, que seguiu viagem normalmente até Deodoro. Quando chegamos na estação, a composição ficou cerca de 30 minutos parada sem recebermos nenhuma informação, até que nos mandaram descer. Muita gente ficou revoltada e houve quebra-quebra até que a PM chegou no local", disse ele.

De acordo com Martins, chegou a haver depredação dentro da estação e confronto com a Polícia Militar: "Os passageiros atiraram uma lixeira na linha férrea e chegaram a quebrar um caixa eletrônico que fica na estação. O tumulto só acabou depois que a Polícia usou spray de pimenta contra as pessoas".

Problemas corriqueiros
Passageiros que utilizam os trens rotineiramente afirmam que é comum passar por diversos problemas durante a viagem, seja por superlotação, atrasos ou desrespeito a diversas normas durante as viagens. A estudante de Comunicação Social Alexandra Barbosa conta que costuma ter problemas para viajar nos horários de rush.

"O maior problema mesmo é a superlotação. Os trens não dão vazão ao número de passageiros no horário de rush e muitas vezes não dá nem para embarcar. Ontem mesmo o trem demorou quase 30 minutos para passar. Com isso, ficou tão lotado que nem conseguia fechar as portas, o que ainda provoca atrasos na viagem", explicou ela. Outro ponto lembrado por Alexandra é o desrespeito à norma que define vagões exclusivos para as mulheres. Segundo ela, falta fiscalização durante toda a viagem.

"Até existe fiscalização nas estações terminais, como a Central do Brasil, mas durante a viagem nenhum segurança impede que os homens embarquem nos vagões exclusivos. Quando chegamos ao destino final o vagão já está lotado de homens", ponderou. A cientista social Kássia Santiago vai na mesma linha. Para ela, os trens cheios nos horários de pico são apenas um dos problemas enfrentados pelos passageiros.

"Normalmente o trem no horário do rush vem muito cheio, você não consegue nem entrar, nem desembarcar nas estações. A volta para casa para quem embarca na Central do Brasil também é um problema, pois sempre há tumultos e corre-corre para tentar conseguir um lugar sentado. Os intervalos também não costumam ser cumpridos pela Supervia e, em termos de conservação, é aquela mesma sujeira de sempre", concluiu.