Julian Casablancas parece incomodado com a fama. Atormentado.
No palco se curva, usa óculos escuros, fala pouco. É tímido.
Grita! E muito!
Na entrevista abaixo ele mesmo diz isso. Gosta de música “gritada”.
Parece estafado e cansado do mainstream, inclusive do patrocinador que quis colar sua imagem a uma marca de perfume.
Parece querer fugir do peso de ter sido um dos responsáveis pelo melhor álbum da década de 2000, abre alas do pop rock do século.
É o inverso da breguice e da mesmice do que hoje nos cerca em termos do que na Alemanha dos anos 30 foi batizado de “cultura de massa”.
Felizmente, é um porto seguro.
Ao contradizer seu companheiro de banda sobre um novo disco para breve, expõe as vísceras do que restou da indústria fonográfica, macaqueada no iTunes de um Steve Jobs canastrão.
Não esconde suas referências, por mais que algumas sejam impensáveis.
Sorri e não responde “a contento” para a MTV, desconcertando a entrevista propositalmente nonsense concedida mês passado, quando de sua passagem por São Paulo.
Ignora o REM. Idolatra os Beatles.
Uma pena que estejamos aqui por estas bandas vivendo ainda na pré-história da cultura pop, no mesozóico do movimento mundial que nos conecta em som, imagem e linguagem.
Alguns chamam isso de padronização. Uns de imperialismo. Os artistas e simpatizantes, e como tem artista “da terra” e simpatizante nesta terra (!), chamam de alienação.
Meus pêsames.
Troco um grito do Julian Casablancas pela produção total do lixo que invade a maioria do que um dia foi o rádio.
E causa tumulto em praça pública.