O presidente russo Dmitri Medvedev ordenou neste domingo uma investigação sobre as alegações de violação da votação durante as eleições parlamentares de 4 de dezembro, informou em sua página do Facebook, um dia após manifestantes protestarem em relação às eleições em algumas das maiores cidades do país.

Dezenas de milhares de pessoas em Moscou e ao redor da Rússia pediram que as eleições ocorram novamente, no sábado, na maior manifestação da oposição que a Rússia já viu em anos.

Mais cedo, Medvedev, expressou divergências com as críticas formuladas pela oposição nas manifestações. Em sua conta no Facebook, o líder deixou claro que não concorda com as demandas e acusações.

A oposição disse que a eleição foi fraudada em favor do partido no poder, o Rússia Unida, que ganhou uma pequena maioria na Câmara Baixa.

"Não concordo com slogans ou declarações feitas nos protestos. No entanto, instruções foram dadas por mim para checagem de todas as informações nos postos eleitorais a respeito do cumprimento da legislação nas eleições", disse Medvedev em uma postagem no site de mídia social.

Manifestantes acenaram panfletos com frases como "Os ratos devem ir embora!" e "Vigaristas e ladrões --nos dêem a nossa eleição de volta!", durante os protestos no sábado em uma clara manifestação contra o Rússia Unida e o primeiro-ministro Vladimir Putin.

"Os cidadãos da Rússia tem a liberdade de expressão e liberdade para realizar comícios. As pessoas tem o direito de expressar a posição que mostraram ontem. Tudo aconteceu dentro da lei", disse Medvedev em seu primeiro comentário depois das manifestações.

Putin quer retornar à presidência para possivelmente os próximos 12 anos, sendo que já cumpriu dois mandatos entre 2000 e 2008.

Medvedev, que é presidente desde 2008, é um ávido usuário de sites de mídia social como o Facebook e o Twitter.

PROTESTO HISTÓRICO

No sábado, os manifestantes de Moscou haviam denunciado fraudes nas eleições legislativas de domingo passado e exigiram às autoridades a realização de novos pleitos parlamentares, a libertação dos presos políticos e a investigação de todas as irregularidades eleitorais.

Mais de cem pessoas foram presas durante a maior manifestação no país desde o primeiro mandato do primeiro-ministro Vladimir Putin, em 2000.

Milhares foram às ruas em diversas cidades para protestar contra as eleições legislativas do domingo passado, que eles dizem serem fraudulentas, e também contra Putin. Em ato similar na última terça-feira, foram presos 500.

Segundo o Ministério do Interior russo, mais de 130 manifestantes foram detidos em todo o país, a maioria deles por participar de manifestações não autorizadas pelas autoridades locais.

A polícia afirma ter havido cerca de 30 mil pessoas apenas em Moscou, mas os organizadores estimam entre 40 mil e 80 mil participantes.

Cerca de 7.000 pessoas foram às ruas em São Petersburgo e manifestações com centenas ocorreram em ao menos outras 60 cidades.

A eleição parlamentar de domingo, em que o partido governista Rússia Unida viu sua bancada encolher em 77 deputados, embora mantendo uma ligeira maioria no Parlamento, sinalizou um crescente descontentamento contra os 12 anos de hegemonia política de Putin no maior país do mundo.

Durante a semana, o partido Rússia Unida negou as fraudes e acusou os Estados Unidos de incitarem a agitação popular. Centenas foram presos pela polícia durante a repressão a protestos logo após o término das eleições.