O presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Fernando Toledo (PSDB), concedeu entrevista exclusiva ao Portal CadaMinuto e conversou sobre diversos temas polêmicos. Entre eles, a ‘caixa preta’ do parlamento, relação com o deputado Antônio Albuquerque e a suposta proteção fornecida a um ex-foragido da Justiça.

Para o deputado, nos últimos anos a imagem do político no Brasil vem sofrendo demasiadamente com os seqüentes escândalos e denúncias.

“Em Alagoas, a nossa imagem também é questionada devido às últimas operações realizadas pela Polícia Federal. Mas, acredito que aos poucos os alagoanos estão observando o trabalho de cada parlamentar e com isso fica cada vez mais fácil cobrar e exigir um reposta do seu representante”, colocou.

Sem caixa preta

Na entrevista, o presidente fez questão de negar que as contas da Casa de Tavares Bastos são ‘negociadas no escuro’ e disse que a presidência assegura total lisura na condução e distribuição dos recursos do povo.

“Essa coisa de caixa preta da ALE não existe, posso garantir. Todos os nossos gastos são públicos e de conhecimento comum, tão verdade que qualquer pagamento realizado pela Mesa só ocorre pós-empenho bancário. As contas da Assembleia estão disponíveis no portal da transparência do Estado de Alagoas”, frisou.

Questionado sobre as supostas brigas internas com o vice-presidente da Casa, Antonio Albuquerque (PT do B), Toledo foi frio e disse: “Albuquerque é mais um deputado e tenho uma boa relação com ele. As divergências políticas são normais, estamos em um parlamento”, proferiu.

PCCS

Há mais de 15 anos, os servidores da Assembleia tentam, apesar das inúmeras promessas, a oficialização do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Sobre o tema, ele enviou um recado.

“Tentamos em 2011 implantar o tão desejado PCCS, mas devido a uma decisão judicial ficamos impossibilitados. O juiz observou que com a implantação esbarraríamos na Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas, como o duodécimo da Casa aumentou em 2012, com certeza os servidores terão os reajustes desejados e a oficialização do plano”, expôs.

O presidente comentou ainda a suposta guarida fornecida ao então foragido da Justiça, Cícero Ferro (PMN), que tomou posse como deputado suplente mesmo em fuga das autoridades.

“Isso não existe! Estava em mais uma sessão ordinária quando a assessoria informou que Ferro estava na ALE para tomar posse. Consultei o corpo jurídico e observamos que estaríamos respaldados pela Lei. A partir disso, fizemos uma pequena cerimônia de posse ao lado dos familiares, amigos e da imprensa”, assegurou.

Tribunal de Contas

Sobre o sonho de se tornar um dia conselheiro do Tribunal de Contas de Alagoas (TCE/AL), o deputado afirmou que a possibilidade ficou um pouco mais longe, já que existia um acordo político que o colocaria no pleno.

“Decisão judicial se cumpre e assim foi feito com a posse do novo conselho Anselmo Brito. Não ficou nenhuma mágoa ou ressentimento já que esse assunto é página virada e só. Agora, existe a possibilidade do conselheiro Isnaldo Bulhões se aposentar e partindo daí acontecendo algumas conversas o desejo pode ser tornar realidade”, revelou.

Ficha Limpa


Com quase uma hora de entrevista, Toledo finalizou criticando a lei da Ficha Limpa. Segundo ele, é questionável a aplicabilidade do projeto diante de uma condenação que cabe recurso.

“Não sei se a lei será aplicada em 2012,2013 ou 2014, mas tenho certeza que ela é inconstitucional. É importante que toda sociedade debata o tema”, finalizou.

A entrevista foi concedida no começo do mês de novembro, antes da crise criada pelas denúncias do deputado João Henrique Caldas (JHC).