O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou na noite desta quarta-feira (30) que a decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência da República de recomendar, por unanimidade, a presidente Dilma Rousseff a exoneração do ministro do Trabalho, Carlos Lupi é um "tiro" no ministro.
"Não deixa de ser um tiro no ministro. É uma bala que é lançada no ministro. É uma posição do Conselho de Ética, mas não é uma posição definitiva. A posição definitiva de qualquer ministro cabe à presidente Dilma e caberá a ela definir o futuro do ministro", afirmou Jucá.
O líder do governo no Senado soube da decisão da Comissão de Ética quando estava reunido com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que foi ao Senado parabenizá-lo pelo aniversário, comemorado nesta quarta. Segundo Jucá, Ideli demonstrou "preocupação".
"Ela [Ideli] foi informada aqui também, e ficou de fazer uma avaliação com o governo. Ela demonstrou preocupação porque, sem dúvida nehuma, é um fato negativo que surge e que o governo vai ter de administrar", afirmou.
Além de recomendar a exoneração, a Comissão de Ética decidiu ainda aplicar uma "advertência ética" ao ministro, que não tem efeito prático, mas representa uma "mancha" no currículo.
Segundo o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, as explicações dadas pelo ministro às denúncias apresentadas na imprensa no último mês foram "insatisfatórias". Pertence disse que "nenhum fato em especial" motivou a decisão da comissão. "Ele apresentou a sua defesa e a comissão entendeu que ele não tinha se explicado sobre toda a base das acusações", disse.
No início de novembro, quando surgiram as denúncias sobre irregularidades nos convênios entre a pasta e ONGs, Lupi negou as acusações e disse que, para deixar o ministério, "só abatido à bala".