Depois de dez dias de protestos contra os militares que comandam o Egito, começaram nesta segunda-feira (28) as eleições parlamentares no país. São as primeiras desde a queda do presidente Hosni Mubarak, no início do ano.

O comparecimento às urnas foi tão grande que as autoridades do Egito decidiram estender, em duas horas, o horário de votação nesta segunda-feira (28). As filas demonstraram uma grande mudança.

Na época do presidente Hosni Mubarak, que renunciou em fevereiro, partidos de oposição estavam na clandestinidade e muitos eleitores não compareciam às urnas. Hoje, um eleitor disse: "Nós estamos aqui desde cedo para reconstruir o nosso país".

O sistema eleitoral egípcio é complexo. A futura Assembleia Popular, que redigirá a constituição, terá 498 parlamentares.

A votação, em diferentes regiões, será feita em três etapas até o início de janeiro. Depois haverá outra votação para o Conselho de Shura, a câmara alta do Parlamento.

O maior desafio da futura Assembleia Popular será exatamente enfrentar o poder das Forças Armadas. Uma proposta que será discutida pelos parlamentares cria uma lei para que o futuro governo não possa mexer no orçamento dos militares.

Em Israel, o primeiro-ministro disse que, depois das eleições, as relações com o Egito não serão as mesmas. Ele teme que o fim do regime militar possa comprometer o acordo de paz assinado entre os dois países.