O ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou hoje que os frequentadores da Cracolândia não devem ser tratados como "bandidos".

"Quem deve ser tratado como bandido é o traficante. Esse, sim, merece a polícia para impedir a venda de drogas na Cracolândia", disse o ministro.

Padilha sugeriu ainda que o Ministério da Justiça ordene a Polícia Federal para apoiar ações das polícias estaduais contra tráfico de crack.

Conforme a Folha revelou hoje, oito consultórios móveis de atendimento aos usuários de crack deverão ser instalados na região da Cracolândia, no Centro de São Paulo.

Em evento organizado pelo sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo, o ministro adiantou que todas as cidades do ABC também receberão estes consultórios.

Estas unidades móveis de atendimento terão como objetivo fazer o primeiro contato com viciados em crack e indicar, quando necessária, a internação involuntária.

"Sou contra a internação compulsória por policiais e agentes", disse Padilha. "Eles não estão preocupados onde essas pessoas vão ficar, o seu tratamento. Mas a Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde têm protolocos que indicam a internação involuntária quando está em risco a vida do usuário", afirmou Padilha.

Os consultórios móveis foram criados, segundo Padilha, para trabalhar em horários alternativos, à noite e de madrugada.

O governo federal prepara o lançamento oficial do programa, que deverá contemplar consultórios móveis em outras cidades do país. O ministro disse, entretanto, que o projeto de atendimento aos usuários de crack é amplo e envolverá outros três ministérios: Justiça, Educação e Desenvolvimento Social.

"O usuário de crack é diferente do de outras drogas e tem necessidades diferentes. Em alguns momentos, eles terão que ser internados em hospitais porque correm risco de vida. Em outros, terão que ficar por mais tempo em espaços de internação", explicou o ministro sobre a necessidade de criação de um atendimento focado no usuário de crack.