O livro "A Primavera do Dragão - A juventude de Glauber Rocha" é mais um tributo à amizade do que à cultura. A definição é do próprio autor, Nelson Motta, que conversou com o G1 na manhã deste sábado (12) e contou que foi o afeto, antes de mais nada, o motivador desta obra - que terá sessão de autógrafos na Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), neste domingo (13), após o painel de seu autor.

Partindo do nascimento e seguindo por momentos marcantes da vida do amigo, Motta conta que buscou mostrar um Glauber desconhecido até dele mesmo. "No livro, eu só conheci o Glauber quase no final", lembra, ressaltando que escreveu apenas por ser a história de um amigo. "Eu não escreveria a biografia de um desconhecido", admite.

A precocidade, a capacidade criativa e as ambições do jovem cineasta fazem parte da narrativa, que conta também um pouco a história de amigos de Rocha, como Cacá Diegues, João Ubaldo Ribeiro e Nelson Pereira dos Santos. "É uma história de amizade, tudo na vida dele era em cima da amizade", conta.

Há um mês e meio viajando, praticamente sem parar, para divulgar o livro, Motta conta que a recepção do público tem sido ótima. "Em Porto Alegre, foi um dos mais vendidos na feira de livros" explica, acrescentando que tem boas expectativas do público pernambucano. "O pernambucano é caloroso por natureza", afirma.

O escritor ainda acrescenta que a receptividade foi uma surpresa, uma vez que acredita ser Glauber uma figura controversa e que as novas gerações não o conhecem. "É um público muito diverso que procura o livro", comenta. "Tentei fazer uma história emocionante. Se você ler umas dez páginas, se empolga com o personagem e não larga mais".

Na Fliporto, Motta conversa com Raimundo Carreiro, Joca Souza Leão e Ryoki Inoue, no domingo (15), sobre as múltiplas identidades do autor. "Eu gostaria muito de escrever um dia uma história em primeira pessoa narrada por uma mulher. Deve ser uma experiência fascinante", confessa o autor, que acrescenta ser a ficcção, por vezes, mais penosa de escrever que uma biografia. "A ficção você nem sabe se vai ter final. A biografia está ali. E escrever essa do Glauber foi só alegria".

Quando jovem, Motta foi fã da cultura oriental, buscou conhecer a cultura zen, o budismo. "Quando fui ao Japão, vi lá o melhor de dois mundos. Eles têm mais tecnologia que os Estados Unidos e são mais cultos que a Europa", conta. A ideia da Fliporto de fazer uma ponte entre dois universos, para ele, é algo importante. "É o concreto, transformar o virtual em real. Afinal, com a internet hoje, você pode saber tudo do Oriente", destaca.