Ativistas pró-democracia convocaram novas manifestações contra o regime do presidente Bashar al-Assad para a sexta-feira, na Síria, apesar de a repressão ter matado mais 21 pessoas nesta quinta. Sob o lema 'Pedimos o congelamento da adesão da Síria à Liga Árabe', os protestos coincidirão com uma reunião no Cairo do comitê ministerial árabe que acusa o regime de Assad de não respeitar o plano árabe que pede o fim da violência.
A esta reunião se seguirá, no sábado, outra na qual participarão todos os ministros árabes das Relações Exteriores. Em 2 de novembro, o governo sírio havia aceito este plano, que prevê a liberação dos prisioneiros, a retirada do exército das cidades e a livre circulação dos meios de comunicação no país.
Mas nesse mesmo dia, as forças do regime encarregadas de reprimir a revolta reforçaram suas operações, deixando dezenas de mortos, particularmente em Homs (centro), assediada e bombardeada pelo Exército, segundo organizações de Defesa dos Direitos Humanos.
Na quinta-feira, 11 civis morreram em Homs, vítimas de disparos das forças de segurança, e cinco corpos de pessoas desaparecidas foram encontrados na região, segundo o Obsevatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).
"As forças de segurança detiveram três feridos em um hospital particular" de Homs, considerada pelos ativistas a "capital da revolução", devido à quantidade de "mártires" mortos desde o começo do movimento de protesto, em 15 de março.
Em Idbleb (noroeste), quatro civis morreram durante revistas, acrescentou o OSDH.
Na mesma região, "pelo menos quatro soldados morreram em um ataque praticado por homens armados, provavelmente desertores, contra um posto militar perto da cidade de Maaret al Nooman", destacou a mesma fonte.
No leste do país, dois militares morreram e cinco ficaram feridos quando supostos desertores atacaram uma blitz militar perto de Deir Ezzor. Em Harasta, perto de Damasco, houve enfrentamentos entre o exército e supostos desertores, segundo a mesma fonte.
Várias cidades mantiveram uma greve geral convocada pela Comissão Geral da Revolução Síria (CGRS), um dos grupos que promovem a revolta, "para apoiar Homs", segundo vídeos divulgados pelo site YouTube.
Em Jabal al Zauiya, na região de Idleb, as forças de segurança tentaram abrir aas lojas à força, segundo o OSDH.
França e Estados Unidos, que pediam a demissão de Assad, criticaram o Conselho de Segurança da ONU por não agir contra a repressão na Síria, que segundo as Nações Unidas deixou mais de 3.500 mortos desde meados de março.
O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne a maioria das correntes da oposição, fez uma campanha entre os países árabes para pedir medidas severas contra o regime, ao qual acusa de praticar "matanças bárbaras".
O CNS pede a abertura de um processo na Corte Penal Internacional contra o regime por "genocídio", proteção internacional para a população civil e ser reconhecido como o "representante legítimo" do povo sírio.