Por mais uma vez as relações entre o Panamericano e o Governo do Estado de Alagoas são alvo de manchetes nacionais. Desta vez, a Folha de São Paulo – o que é reproduzido pelo Cada Minuto, assim como outros sites locais – traz a informação de um suposto repasse de R$ 954 mil a fornecedores da campanha da coligação que reelegeu o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), como parte da negociação para o recebimento de uma dívida de R$ 3,3 milhões contraída com o Estado.
Novamente na berlinda a “taxa de retorno” que teria sido negociada pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Luiz Otávio Gomes. Ele já negou – quando saiu matéria no Estadão – envolvimento com o caso e colocou que nunca trocou e-mail algum com executivos, pois a base das denúncias foi uma troca de e-mails em que o titular da pasta – e homem forte do governo Vilela! – era citado. De fato, não há correspondência do super-secretário da gestão tucana.
Mas o que há de novo na reportagem da Folha, primeiro a afirmação da formalização do contrato, com pontos que teriam ficado de fora do papel escrito; e além da reafirmação da taxa de retorno, se coloca que esta – o que é uma acusação gravíssima! – foi utilizada dentro da campanha como doação, mediante recibo ou emissão de nota fiscal por empresa indicada por Luiz Otávio.
Folha diz ter um relatório em que foi identificado os pagamentos de R$ 200 mil e R$ 754 mil. Esta lá na matéria, que se encontra no corpo deste site. Ora, é preciso – enquanto agentes públicos – muito mais que uma negativa diante de acusações tão sérias. Sobretudo, porque ao se mostrar supostos detalhes de negociações em campanha, a “bomba” sai do colo de um secretário e passa a fazer “tic-tac, tic-tac” no gabinete do próprio governador. Ele era o regente máximo da orquestra da campanha tucana em 2010.
Não se pode – como sempre friso em outros posts – se lançar ao pré-julgamento! Mas, assim como afirmado no caso envolvendo esquerdistas, vale aqui a mesma reflexão: negar as denúncias não basta. Uma forma de provar a inocência dos envolvidos é passar os gastos de campanha a limpo. Mostrar por A mais B como chegou e saiu cada centavo. O próprio Vilela – sem intermédio de assessores – precisa se pronunciar de forma clara e objetiva sobre o assunto, rebatendo – com argumentos! – ponto a ponto o que foi denunciado. Afinal, se infundada são as acusações, assim se pode proceder!
Estou no twitter: @lulavilar