Assessores do ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), teriam exigido propina de ONGs conveniadas à pasta para liberar repasses de verbas, segundo reportagem da revista semanal Veja veiculada neste sábado citando parlamentares e servidores púlicos não-identificados.

Além disso, dirigentes de Ongs disseram à revista que, além do ex-chefe de gabinete, dois assessores próximos ao ministro também fariam parte do esquema.

Segundo a Veja, os assessores criavam entraves para a liberação de recursos dos convênios e teriam cobrado de 5 a 15 por cento do valor dos contratos para resolver as pendências.

Um porta-voz do Ministério do Trabalho negou as acusações à Reuters por telefone, mas acrescentou que não comentaria o conteúdo da reportagem.

A revista disse ainda que as pessoas supostamente envolvidas, incluindo o ex-chefe de gabinete de Lupi, Marcelo Panella, e o ex-assessor Weverton Rochas, que agora é deputado federal, negaram as acusações.

A Reuters não conseguiu entrar imediatamente em contato com Panella e Rochas. As ONGs mencionadas na reportagem da Veja não responderam imediatamente a pedidos de comentários.

Desde o início do governo Dilma Rousseff, cinco ministros já deixaram os cargos após suspeitas de irregularidades. Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura) e Pedro Novais (Turismo) saíram dos respectivos ministérios, seguidos por Orlando Silva (Esporte), que no fim de outubro deixou a chefia da pasta, atingido por denúncias que envolviam justamente convênios com ONGs.

O líder do PDT na Câmara, Giovanni Queiroz, disse à Reuters que as acusações devem ser investigadas e que, caso sejam verdadeiras, os culpados devem ser punidos.

'Em qualquer orgão público pode ocorrer mau comportamento pelos funcionários, mas tenho absoluta convicção de que o ministro não estava envolvido nessas atividades, se houver', afirmou por telefone.

(Por Brad Haynes em São Paulo, Sabrina Lorenzi no Rio de Janeiro e Maria Carolina Marcello em Brasília)