O Ministério Público Federal (MPF) em Arapiraca e o município de Feira Grande, a 140 Km de Maceió, assinaram, na última quarta-feira (26), um termo de ajustamento de conduta (TAC), para a regularização da jornada de trabalho de 40 horas semanais dos profissionais de Saúde que fazem parte do Programa Estratégia de Saúde da Família (ESF), o antigo PSF. O termo foi assinado com a presença do prefeito Fábio Lira e da secretária de Saúde, Flávia Lira.

De acordo com as cláusulas do TAC, proposto pelo procurador da República em Arapiraca, José Godoy Bezerra de Souza, a prefeitura tem 30 dias para afixar, em local de fácil visualização para o público, a relação dos profissionais da área de saúde lotados no Programa de Saúde da Família (PSF) no Município, e informar aos cidadãos, através dos meios de comunicação locais (rádio e jornal), onde se encontram essas relações, abrindo espaço para que também se possa denunciar o eventual descumprimento das jornadas de trabalho.

O município deve ainda realizar concurso público para a contratação de profissionais de saúde para o ESF e formação de cadastro de reserva, devendo publicar o edital até janeiro de 2012. A prefeitura deve também adotar medidas visando a melhoria das condições de trabalho nas Unidades de Saúde da Família, no prazo de oito meses, contados a partir da assinatura do TAC.

Em dez meses, um Projeto de Lei, contendo proposta de Plano de Cargos e Carreiras (PCC) para todas as categorias dos profissionais que compões o PSF, deve ser enviado à Câmara Municipal, incluindo a questão da salubridade.

O descumprimento ou atraso injustificado das obrigações contidas nas cláusulas do TAC acarretará em multas diárias de R$ 1 mil à administração municipal. A verba, para eventual pagamento das multas, não pode ser retirada dos recursos públicos destinados ao PSF.

Entenda o caso - No primeiro semestre deste ano, diante do descumprimento da carga horária estipulada na legislação e nos editais dos concursos do PSF, foram instaurados dois inquéritos civis públicos pelo MPF, e expedidas recomendações direcionadas aos prefeitos alagoanos, com o objetivo de fazer cumprir a exigência legal de 40 horas semanais.

No final de agosto foi realizada uma audiência pública com todos os municípios, sindicatos e demais envolvidos para tratar da questão. Na oportunidade, o MPF reforçou a necessidade do cumprimento das leis que regulam o programa, bem como o que estava disposto no edital de seleção dos profissionais, sobretudo na questão do cumprimento da carga horária estabelecida.

Compareceram ainda a secretária-adjunta de Saúde do município, Nilza Rogério, o coordenador de Atenção Básica, Edicarlos, dr. Francisco e dr. Rubens, procuradores do município.