O clima dentro do Tribunal de Contas do Estado é de apreensão, segundo os bastidores políticos. Dois motivos levam a tremedeira de muita gente: um envelope que se encontra entre os documentos apreendidos, com nomes de pessoas conhecidas e valores que supostamente seriam repassados a estes por meio do esquema que foi desbaratado pela Polícia Federal na Operação Rodoleiro.

Outro motivo? Bem, os funcionários do Tribunal que já prestaram esclarecimentos à PF e os que ainda vão prestar. A lista de depoentes se aproxima de 30 nomes. Há quem suspeite que entre estes convocados estejam alguns que sequer sabiam – uma hipérbole, evidentemente! – onde fica o Palácio de Vidro da Avenida Fernandes Lima. Há possibilidade até de falecidos estarem na lista. Nada confirmado ainda, mas hipóteses levantadas.

Caso as investigações confirmem, a folha salarial do Tribunal de Contas era “o bicho” e a operação – assim como ocorreu na Taturana, que atingiu a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, em 2007 – terá desdobramentos identificando possíveis outras modalidades. Ao menos, são estas informações que andam sendo comentadas dentro do próprio Tribunal, de ouvido em ouvido. De boca em boca.

Alguns servidores torcem para que as investigações avancem. Torcem – inclusive – para que o Ministério Público Estadual também entre no caso, com procedimento investigativo paralelo. Esperam que o assunto incomode tanto a ponto de se ter uma intervenção, o que ainda é muito distante, quase impraticável, diria. O fato é que a possibilidade de sequência da operação Rodoleiro parece que assusta mais do que as prisões que já ocorreram. Mas, evidentemente que os inocentes estão tendo o sono dos justos. O que se quer é que quem for podre, que se quebre (frase tantas vezes repetidas por aqui)!

Três foram indiciados como suspeitos da prática de corrupção até o presente momento: dois funcionários do Tribunal de Contas, Deivid Portela e José Barbosa e o empresário Sérgio Gomes de Barros. A lista pode aumentar. A Polícia Federal confirma que as investigações seguem, mas não todas as informações de bastidores, evidentemente. Os suspeitos foram liberados. A PF não viu mais necessidade de pedir prorrogação das prisões. Agora, esperemos!