A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que o recém-empossado ministro do Esporte, Aldo Rebelo, "é titular" no governo federal. Para a presidente, Rebelo é plenamente capacitado para exercer a comandar a pasta - abalada por acusações de de desvio de recursos. Dilma lamentou a saída de Orlando Silva.
"Essa cerimônia (de posse) não estava nos meus planos, nos planos do governo. Muitas vezes somos conduzidos a circunstâncias inesperadas", disse. Orlando Silva foi o sexto ministro a sair do governo em 10 meses de mandato de Dilma como presidente.
"Este trabalho (do ex-ministro Orlando Silva) foi incansável na preparação do Brasil nos grandes eventos esportivos que sediaremos", disse a presidente. "Ele ganha pela liberdade para restituir a verdade e preservar, assim, sua biografia. Orlando Silva não perde meu respeito", acrescentou.
Dilma fez um gesto público de reconhecer o PCdoB como um "parceiro fundamental" em sua administração. "É este partido que me proporciona hoje um novo colaborador, experiente, sério, líder reconhecido, homem de estado", disse referindo-se a Aldo Rebelo.
Deputado federal por São Paulo pelo quinto mandato consecutivo, Aldo Rebelo presidiu a Câmara entre 2005 e 2007 e foi ministro-chefe da Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais de 2004 a 2005, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Sua carreira política teve início no movimento estudantil, chegando à presidência da União nacional dos Estudantes (UNE). Seu primeiro cargo eletivo foi o de vereador da cidade de São Paulo, que exerceu entre 1989 a 1991.
Como deputado, Rebelo foi o relator do projeto de lei que atualiza o Código Florestal. Outros projetos de sua autoria causaram polêmica por sua suposta irrelevância. Um deles é o que trata da promoção, proteção e defesa da língua portuguesa. Atualmente em tramitação no Senado, a proposta combate o uso excessivo de expressões em língua estrangeira. Caso a lei seja aprovada, todos os documentos oficiais do Brasil deverão ser escritos em português. O projeto prevê ainda que toda comunicação dirigida ao público, caso utilize palavras em outra língua, terá tradução para o português. A regra vale para peças publicitárias, relações comerciais, meios de comunicação de massa e informações afixadas em estabelecimentos comerciais.
Outra proposta polêmica foi a criação do Dia do Saci Pererê no dia 31 de outubro - quando, em outros países, é comemorado o Halloween. Em sua justificativa, o político lembrou que o símbolo do folclore é uma "força da resistência cultural à invasão dos x-men, dos pokemons, os raloins (sic) e os jogos de guerra". Conforme o texto do PL 2762/2003, a lei "apoiará as iniciativas, programas e atividades culturais de entidades públicas (...), que poderão contribuir para a celebração do folclore brasileiro, através do Saci e de seus amigos (Iara, Curupira, Boitatá e tantos outros)". A proposta, no entanto, não chegou a ser apreciada por nenhuma comissão da Casa e foi arquivada em janeiro de 2007, ao fim da legislatura.
