Os servidores técnico-administrativo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) completaram uma semana de paralisação na quarta-feira com a adesão dos funcionários dos três restaurantes da instituição. Nas três unidades cerca de 23 mil refeições são preparadas por dia e atendem estudantes, funcionários e terceirizados. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), apenas estão sendo servidas refeições para os pacientes e seus acompanhantes no Hospital das Clinicas (HC) e no Hospital da Mulher (CAISM - Centro de Atendimento Integral de Saúde da Mulher).
A categoria pede valorização da carreira, melhor qualidade de ensino e a isonomia salarial com a equiparação salarial com os servidores das outras duas universidades paulitas: a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). Segundo o sindicato, há uma diferença no valor de 56% a menos, em beneficios, para os servidores de um mesmo cargo da Unicamp se comparado com as demais universidades.
O STU já contabiliza a adesão da diretoria acadêmica (DAC), diretoria geral acadêmica (DGA) e aguarda a adesão dos servidores da saúde. Dos oito mil funcionários pelo menos cinco mil aderiram ao movimento, segundo o diretor do STU, Fabrício Ferreira. "Já marcamos quatro reuniões com o reitor e todas as tentativas foram em vão", disse.
No começo desta sexta-feira, os servidores seguiram em carreata do campus no distrito de Barão Geraldo para o centro da cidade e realizaram uma passeata como apitaço pelas principais ruas.
Em nota, a Unicamp informou que as atividades acadêmicas, de pesquisa e extensão ocorrem normalmente na universidade, assim como o atendimento no Hospital das Clínicas e Hospital da Mulher. Ressalta que em razão da paralisação do restaurante optou em depositar R$ 30 a mais na conta do cartão Vale Alimentação para cada funcionário. A universidade argumenta que a data-base para negociação salarial com os trabalhadores das três universidades estaduais paulistas ocorre no mês de maio. Salientou que o reajuste salarial dos servidores entre 2000 a 2011 foi de 137,96% contra uma inflação neste período de 90,14%, segundo a IPC/Fipe.
Fila na lanchonete
O estudante de engenharia civil Felipe Rafael Santos, 21 anos, disse ser importante a união dos servidores para pedir melhorias para a universidade em geral. Ele falou que dificilmente faz as refeições no Restautante Universitário pois prefere pratos com menos calorias. Ele contou que consegue se deslocar entre os intervalos e se alimentar na república. "Tenho amigos que costumam alternar entre o 'bandejão' e um fast food aqui por perto".
Já para a estudante de economia Patricia Daher, 25 anos, o único problema é o aumento de pessoas nas filas nas lanchonetes. "Tenho aula a tarde e saio de casa alimentada". A estudante Fábia Luana, 19 anos, costuma trazer um lanche leve de pão com folhas ou legumes com queijo e acha que ninguém vai morrer de fome por causa do 'bandejão' fechado por uns dias. Segundo alguns alunos da Unicamp, as aulas no campus estão ocorrendo normalmente.