O presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse nesta terça-feira que o efeito negativo do câmbio sobre o resultado da mineradora no terceiro trimestre é "um impacto que acontece apenas no momento em que é fechado o trimestre" e que, no longo prazo, a desvalorização do real "trará benefícios" à companhia, cuja receita é indexada à moeda estrangeira.

Perdas com derivativos (operações para se proteger contra a variação de moedas ou commodities) e o efeito negativo do câmbio sobre o endividamento da companhia tiveram um impacto de R$ 4,1 bilhões e reduziram o lucro líquido da companhia --de R$ 7,9 bilhões no terceiro trimestre, queda de 23% ante o segundo trimestre.

Ferreira ressaltou que a perda é "contábil" e não afetou o caixa da companhia. Isso ocorre, por exemplo, porque muitas das operações com derivativos não foram finalizadas (ou seja, não houve desembolso), mas apenas tiveram seus valores ajustados à nova cotação do dólar.

O executivo ressaltou que todos os exportadores sempre "lutaram" contra a excessiva valorização do real e que o atual nível da taxa de câmbio trará mais competitividade e "melhores condições" às vendas externas do país e da companhia.

O diretor financeiro da Vale, Guilherme Cavalcanti, disse que, se o dólar se mantiver no atual nível, a companhia "irá gerar mais receitas no próximo trimestre".

No terceiro trimestre, a Vale registrou recorde de produção (87 milhões de toneladas de minério de ferro) e de geração de caixa (R$ 16,1 bilhões), mas viu seu lucro cair por conta do efeito do câmbio.