As lojas da região do Brás, no centro de São Paulo, que foram impedidas de abrir em decorrência dos protestos de camelôs, começaram a funcionar por volta das 11h desta quarta-feira. As ruas que ficaram interditadas também já foram liberadas.
A dispersão dos cerca de 300 manifestantes ocorreu após a ação da Tropa de Choque da Polícia Militar, que usou bombas de efeito moral contra os ambulantes após registro de depredações e tentativas de saque. Houve correria e pessoas passaram mal.
Manifestantes atiraram pedras contra vitrines e levaram roupas que estavam expostas. Um ônibus que passava pelo local também foi atingido e teve um dos vidros quebrados. Uma pedra atingiu um PM que acompanhava o protesto. Duas pessoas foram detidas.
Apesar da dispersão dos manifestantes, um grupo permanecia concentrado na rua Oriente, por volta das 11h10. Segundo os camelôs, eles aguardam a presença dos vereadores Adilson Amadeu (PTB) e José Américo (PT). A Tropa de Choque também permanece no local.
Este é o segundo dia em que ambulantes protestam na região e impedem que o comércio local funcione. Ontem, as lojas só abriram a partir das 12h. Durante os protestos de terça-feira houve feridos leves e três pessoas foram detidas.
Os manifestantes são contra uma operação de fiscalização da prefeitura para combater o comércio ilegal. Uma reunião entre representantes dos camelôs e da prefeitura foi realizada ontem, mas não teve acordo. Os ambulantes querem autorização para trabalhar na região da Feira da Madrugada entre as 2h e as 6h30.
OPERAÇÃO
Segundo a prefeitura, apenas 2.949 ambulantes com boxes dentro da área da feira são legalizados. Em novembro passado, quando a prefeitura assumiu a administração do terreno, cerca de 8.000 atuavam no local --4.700 legais.
A maior parte dos camelôs que foram retirados da feira --cerca de 4.200-- monta hoje suas barracas nas ruas do entorno.
A operação de combate aos camelôs ilegais da região havia sido anunciada pela prefeitura no final de setembro. Na ocasião, a administração já esperava que houvessem conflitos entre policiais e camelôs.