por João Victor Acioly

Acredito que o válido ao opinar sobre um assunto é conhecer todas as versões do mesmo. Sinto-me enfim assente para expor o que penso em relação à nova isca da mídia brasileira: a polêmica envolvendo o (ex-)apresentador do CQC Rafinha Bastos versus a cantora Wanessa.

Tracei as primeiras linhas deste texto após a leitura de uma postagem no site oficial de Wanessa, que leva por título “A minha verdade!”. Eis que agora, com a declaração pública dela sobre o assunto e com a recusa do jornalista a reconhecer o erro, e mais, esconder-se à barra da saia da ‘liberdade de expressão’ – mascarada, como a cantora destaca em seu texto que pode ser lido na íntegra clicando aqui –, questiono o que passa pela cabeça dos brasileiros que reforçam apoio ao humorista. E o festival de absurdos vai além!

É fácil encontrar comparações do fato com a política do país, dois opostos que não conferem em nada. “Brasil: país onde os humoristas são levados a sério, mas os políticos são levados na brincadeira” é uma das frases mais reproduzidas pelos jovens nas redes sociais, nas últimas semanas. Uma babaquice, que apenas prova a falta de discernimento e o quão influenciáveis essas pessoas são. Enquanto Rafinha é um dos comediantes mais queridos do país na atualidade, em seu campo, Wanessa não tem o mesmo prestígio. A opinião pública passou a tomar partido de acordo com os envolvidos, não com os atos, equívoco que ironicamente os coloca em confronto com sua própria revolta.

Liberdade de expressão não é falar apenas o que pensa; é opinar com educação, respeito e, primordialmente, limite. Como se pode querer um país melhor na política quando não se consegue sequer dar razão à verdade visível, em que todos têm plena ciência a quem pertence? Pode se perguntar ‘o que tem demais numa simples brincadeira?’. Eu respondo: impostura, despudor e falta de freio!

Rafinha Bastos foi infeliz em sua declaração, e continua sendo ao ironizar a situação, alimentar o suite e ignorar a importância de reaver o que foi dito. Para querer brincar de super-herói revolucionário tem de ser mais que destemido e impulsivo. Tem de ser racional.