Faltando menos de três anos para abertura da Copa do Mundo de 2014, Fifa e Comitê Organizador Local (COL) ainda têm muito mais preocupações que realizações para contar. A preparação do Mundial no Brasil segue repleta de percalços. E a luz amarela está acesa nas duas entidades. Isso ficou ainda mais evidente na apresentação de quinta-feira, realizada em Zurique, para anunciar as tabelas dos jogos de 2013 e 2014.

A grandiosidade e promoção elevada são marcas de quase todos os eventos realizados pela Fifa. Nesta quinta-feira, apenas uma rápida exibição de slides, com a presença de poucas autoridades brasileiras. "É um evento estritamente técnico, mais voltado para a imprensa do nosso país. Não convidamos ninguém (dos governos) para cá. Quem veio a Zurique simplesmente nos ligou dizendo que estaria aqui", disse um integrante do COL na Suíça.

De fato, pouco havia para ser anunciado. A abertura da Copa em São Paulo e o encerramento no Rio já eram dados como certos há bastante tempo. A aparente subutilização das arenas de Manaus, Cuiabá e Natal também não espantou ninguém. As únicas surpresas reservadas para o evento foram, no final das contas, negativas.

A tabela para a Copa das Confederações deveria ter sido apresentada ontem, o que não ocorreu porque a Fifa e o COL preferiram. Por isso, a participação de Salvador e Recife está condicionada ao andamento das obras até o meio do ano que vem. Depois dessa definição, as entidades vão desenhar o traçado dos 16 jogos que fazem parte da competição.

Diante da situação, o presidente da CBF e do COL, Ricardo Teixeira, que apresentou as tabelas ao lado do secretário-executivo da Fifa, Jérôme Valcke, não conversou com a imprensa brasileira. Deu entrevistas apenas a Rede Globo, em local separado dos demais jornalistas.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, abriu a apresentação fazendo elogios ao governo Dilma, mesmo com as indefinições a respeito da Lei Geral da Copa e os atrasos nas obras que cabem ao poder público, como reformas nos aeroportos.

Apesar do afago, Blatter deixou o auditório da entidade tão rápido quanto entrou e sem trocar gracejos com dirigentes e políticos brasileiros. Mais cedo, o diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, pressionou o Brasil ao cobrar uma nova edição na Lei Geral da Copa até o fim do ano. "Se isso não acontecer, teremos sérios problemas".

Já o ministro dos Esportes, Orlando Silva, não apareceu em Zurique por motivos óbvios. Mas sua figura esteve representada pelo secretário especial de Copa da prefeitura de São Paulo, Gilmar Tadeu. O integrante da gestão Kassab, que é filiado ao PC do B, mesmo partido de Orlando Silva, ficou muito desconfortável com as perguntas sobre o escândalo em Brasília. Mesmo assim, defendeu o colega de partido.

Hoje, a sede da Fifa terá um assunto que promete esquentar ainda mais os ânimos na gelada Zurique. Joseph Blatter vai mostrar ao Comitê Executivo da federação o plano que pretende implantar para combater à corrupção interna. Segundo a rede britânica BBC, o cartola quer abrir documentos do caso ISL, o que pode causar dores de cabeça para dirigentes da entidade, entre eles Ricardo Teixeira.