O PC do B publicou nota em seu site oficial defendendo a honra do ministro do Esporte, Orlando Silva, que envolveu sua pasta em uma crise após publicação da "Veja" desta semana. O portal Vermelho usou o espaço também para pedir regulamentação da mídia. A nota foi publicada na terça-feira (18).

Na revista, o policial militar João Dias Ferreira acusa o titular do Esporte de participação em um esquema de desvio de recursos da pasta e em fraudes. Na terça-feira, Orlando se defendeu em sessão na Câmara dos Deputados e ontem no Senado.

Com o título "Os homens de bem apoiam Orlando contra as calúnias da 'Veja'", a sigla que seria uma das beneficiadas por um suposto caixa dois de programas do Esporte, com verbas repassadas por ongs prestadoras de serviços, engrosso o discurso de Orlando de que as calúnias lançadas contra o ministro e o partido "é o melhor exemplo da necessidade, da imposição, de uma legislação para regular a mídia e democratizar os meios de comunicação".

Na nota a publicação "Veja" é classifica como "uma revista ignóbil publicada na capital paulista" e que dá "voz a um bandido processado pela justiça".

Seguindo a linha de defesa do ministro, utilizadas nas defesas na Câmara e no Senado, o partido adota o mesmo discurso que atribui a revista e imprensa como um todo de "um linchamento público do ministro e seu partido a partir de acusações feitas pelo autor das calúnias" para fugir do crime cometido pelo delator João Dias Ferreira (segundo o ministro de apropriação de recursos obtidos em convênios assinados com o ministério do Esporte em 2006 e 2008).

ENTENDA O CASO

Dois integrantes de um suposto esquema de desvio de recursos do Ministério do Esporte acusam Silva de participação direta nas fraudes, segundo reportagem publicada pela revista "Veja".

O soldado da Polícia Militar do Distrito Federal João Dias Ferreira e seu funcionário Célio Soares Pereira disseram à revista que o ministro recebeu parte do dinheiro desviado pessoalmente na garagem do ministério.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que irá investigar as acusações.

Segundo o ministro, que tem desqualificado o policial militar em entrevistas e nas oportunidades que falou do assunto, disse que as acusações podem ser uma reação ao pedido que fez para que o TCU investigue os convênios do ministério com a ONG que pertence ao autor das denúncias.

Em nota, o Ministério do Esporte disse que João Dias firmou dois convênios com a pasta, em 2005 e 2006, que não foram executados. O ministério pede a devolução de R$ 3,16 milhões dos convênios.

De acordo com o ministro, desde que o TCU foi acionado, integrantes de sua equipe vêm recebendo ameaças.

ACORDO

Em entrevista publicada na terça pela Folha, Ferreira disse que Orlando Silva lhe propôs um acordo, em março de 2008, para que não levasse a órgãos de controle e à imprensa denúncia sobre irregularidades no Programa Segundo Tempo.

Ferreira protestou, na reunião que afirma ter tido, sobre ação do ministério que apontou irregularidades em dois convênios. O ministro nega o encontro com Ferreira em 2008. Diz que só se encontrou com ele em 2004 e 2005.

Anteontem, o delator participou de reunião com lideranças da oposição no Congresso Nacional, e afirmou que em breve novos documentos serão mostrados para comprovar os desvios. Segundo ele, há "mais de 300 caixas pretas" que comprovariam as irregularidades.