Em discurso na Casa Branca na tarde desta quinta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a morte de Muammar Gaddafi mostra que a região imersa em revoltas desde o início do ano não aceita mais os governos ditatoriais de "mão de ferro" e que um "capítulo doloroso" da história da Líbia se encerrou hoje.
Comentando a ação da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que iniciou uma polêmica intervenção militar no país em março, Obama disse que a aliança não ficou imóvel após o ditador ter começado sua campanha "de cidade em cidade, casa a casa" e teve papel decisivo na defesa dos civis.
O presidente afirmou ainda que os "líderes [da região do Norte da África e Oriente Médio] que negarem a dignidade humana" as suas populações "serão derrotados".
Embora tenham reiterado que a meta no país não era a captura do ditador, algo que não estava incluso nas resoluções das Nações Unidas que aprovaram a missão da Otan, as potências ocidentais deixaram transparecer nos últimos meses que persistiriam até que o país estivesse totalmente livre do ex-ditador.
Na mesma linha, Obama disse que com a morte de Gaddafi a Líbia está "totalmente livre" e a missão da Otan "atingiu seus objetivos e deve logo chegar ao seu fim".
Vários países, incluindo os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) criticaram a aliança atlântica e as potências por terem extrapolado os limites dos mandatos da ONU durante a ação na Líbia e mostram hesitação quanto a medidas semelhantes em países como a Síria, onde a repressão do ditador Bashar al Assad aos protestos já teria deixado mais de 3.300 mortos, segundo a ONU.