A academia TOP – que foi alvo de busca e apreensão e teve seu proprietário (Sérgio Gomes de Barros) detido durante a Operação Rodoleiro, desencadeada pela Polícia Federal – divulgou uma nota de esclarecimento! A nota direcionada à imprensa é composta por cinco vocábulos: “A TOP continua funcionando normalmente”. É isto! Ponto final!

Na verdade, não esclarece muita coisa à sociedade alagoana, que assistiu – por meio da imprensa – à Operação Rodoleiro, que afirma um desvio de aproximadamente R$ 100 milhões envolvendo o Tribunal de Contas do Estado (nas figuras de dois diretores), empresas (dentre as quais a academia) e um haras localizado em Atalaia. A academia tranquiliza seu público alvo e seus clientes. Funcionará normalmente. Apenas isto.

Que o Tribunal de Contas do Estado, quando se pronunciar pelo seu presidente Luiz Eustáquio Toledo, ressalte algo além de dizer que está funcionando normalmente. Afinal, é o que se espera desde sempre: que o Tribunal funcione normalmente. E que se entenda o normalmente como exercício normal de suas atividades mesmo: fiscalização da aplicabilidade dos recursos públicos. Que é justamente o que está sendo posto em xeque pela Polícia Federal.

Portanto, cabe ao TC uma resposta bem mais sólida. Negando o desvio e mostrando sua versão aos fatos; ou afirmando que a alta cúpula não tinha conhecimento deste, já que não há – conforme informações da própria PF – envolvimento de qualquer conselheiro. Na segunda opção, fica a pergunta: se não se sabia de nada, o que faziam então os conselheiros que em essência são fiscalizadores?

Bem, o que mais se tem até o presente momento são perguntas a serem feitas. A TOP – por exemplo – com saiu na frente, poderia explicar também qual o envolvimento do proprietário com o caso. A Polícia Federal – segundo o delegado Antônio Miguel – o indiciou. Os supostos crimes atribuídos aos suspeitos, como já citado pela imprensa, são de sonegação fiscal, desvio de recursos e lavagem de dinheiro. É bom, entretanto, evitar pré-julgamentos. Mas, o posicionamento dos envolvidos é importantíssimo.

Entendo a postura da academia de ginástica em sua nota sucinta. Discordo de ser chamada de nota de esclarecimento. Deveria ser tido como aviso. Enfim. Questionei isto no twitter. A assessoria disse que manteria (espero que seja uma referência a toda sociedade e não apenas à imprensa, que é apenas um elo entre as partes) informado, quando pudesse passar maiores informações. Assim é o esperado.

Ressalto, entretanto, a competência da assessoria de imprensa da academia, que soube se fazer presente e atendeu atenciosamente a todos da imprensa, na crise que gerencia. Elogiar o trabalho deles, não significa – contudo – qualquer discussão em relação ao mérito da questão. Afinal, as acusações são gravíssimas e mais uma vez maculam não uma academia, não um tribunal, não um haras, mas a imagem de um Estado de pessoas de bem que sofrem pelos desmandos de alguns. E assim: quem for podre que se quebre, quem for inocente, que seja inocentado, como já disse em post anterior.
 

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