A ex-presidenciável Marina Silva (sem partido) disse nesta segunda-feira (17) que "a corrupção virou uma questão insustentável no Brasil" e que só haverá "mudança profunda se tiver forte mobilização da sociedade". Ela cobrou "protagonismo" do governo Dilma Rousseff.
Marina participou no campus da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) de um evento da universidade sobre conhecimento e cultura.
"Tem faltado protagonismo nesse aspecto [combate à corrupção], porque o que a imprensa denuncia já está no Tribunal de Contas [da União], boa parte [das denúncias] já está no Ministério Público", afirmou.
Marina, que em julho deixou o PV sob a alegação de que os "verdes" não se renovaram, voltou ao tema corrupção por causa de mais um escândalo com suspeita de envolvimento de mais um ministro do governo Dilma, agora Orlando Silva (Esporte).
"Ela [a presidente Dilma Rousseff] enfrenta um dos piores problemas que é o atraso na política. As conquistas que tivemos na área social e econômica nos últimos 16 anos podem ser perdidas por causa desse atraso", afirmou.
Ao dizer que o problema do país que leva à corrupção é "a crise na política", Marina disse que os partidos se "apropriaram dos espaços públicos" e que, nesse cenário, mudam os ministros após uma denúncia contra ela, mas o substituto acaba sendo do mesmo partido.
"É o mesmo partido que vai continuar indicando como se fosse dono daquela fatia do Estado brasileiro. Essa é a natureza do problema", afirmou.
Ela disse ter ficado contente com a mobilização de cerca de 20 mil pessoas em Brasília no último dia 12, convocada pelas redes sociais na internet. Segundo Marina, isso é o começo de mobilização da sociedade que ela defende existir.
Questionada se vai ingressar em algum partido, a ex-senadora disse fazer parte de um movimento que chama de "Nova Política" e que dele fazem parte "pessoas que querem partido, que não querem partido e pessoas de outros partidos". Ela disse que "não se cria partido político por causa de eleição", mas admite que no futuro isso pode resultar na formação de mais um partido político no país.
"Estou nesse movimento. Se isso tiver densidade para ser um partido, no futuro até pode ser um partido", afirmou ela, que descarta se filiar a alguma sigla já existente.