A base governista no Senado derrubou nesta terça-feira (18), na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, requerimento que convidava o policial militar do Distrito Federal João Dias Ferreira e o governador do DF Agnelo Queiroz (PT) para falar das denúncias de corrupção no Ministério do Esporte.
Ferreira é autor das denúncias de que o ministro Orlando Silva (Esporte) teria montado um esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo. Queiroz é ex-ministro do Esporte e segundo Silva teria indicado o policial para um encontro.
Silva foi convidado para prestar esclarecimentos amanhã, às 14h, na Comissão de Meio Ambiente. O convite para o policial e o governador foram apresentados pelo líder do PSDB, Alvaro Dias (PR). O tucano argumentava que não seria possível ouvir o ministro sem apresentar o contraditório.
"Ninguém estaria chamando o policial para aplaudir. Ele vai ter que apresentar provas. O contraditório é indispensável para oferecer à sociedade os esclarecimentos necessários."
O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) também criticou a blindagem governista. "Sem trazer o policial, será uma farsa."
Os principais líderes governistas acompanharam a votação na Comissão de Educação. O líder do PC do B, Inácio Arruda (CE), reclamou da presença do policial e disse que o partido, que tem entre seus quadros o ministro, está sendo perseguido.
"O assunto agora é contra o PC do B. E estamos trazendo o ministro que pediu celeridade para se explicar ao Congresso. Agora, trazer uma pessoa que não tem prova, isso representa um desrespeito ao Congresso."
O líder do PT, Humberto Costa (PE), disse que é preciso ter cuidado para não transformar as acusações numa disputa política.
O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu que o ministro seja ouvido e que depois, se os parlamentares avaliarem como necessário, discutir outros convites.