Dados do Centro de Referência no Atendimento Infanto-Juvenil (CRAI) do Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas apontam que no ano passado foram atendidos 1800 casos de pedofilia e a abuso infantil no Rio Grande do Sul, o que representa uma média de cinco casos por dia. Nesta segunda-feira começa a jornada Dez Anos CRAI - Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes: Práticas, Intervenções, Perspectivas, que vai discutir sob diversos aspectos o trabalho de atendimento às vítimas de abuso infantil.

Os casos são encaminhados ao CRAI através dos Conselhos Tutelares, delegacias da Criança e Adolescente, serviços de saúde e escolas. "Nós temos atendido cerca de 150 a 160 casos de entrada, destes 50% são de Porto Alegre, 25% a 35% da região metropolitana e o restante do interior do Estado", explica a coordenadora do CRAI, psicóloga Eliane Soares.

Segundo Eliane, no centro de referência é realizada a avaliação inicial dos casos, que consiste na avaliação psicossocial, registro de Boletim de Ocorrência policial e os exames periciais. "Depois nos demandamos para a rede os acompanhamentos de mais longo prazo, já que os acompanhamentos iniciais são todos feitos ainda dentro do hospital, incluindo o procedimento profilático das situações de estupro dentro das 72 horas".

A psicóloga diz que as meninas seguem como as principais vítimas dentro da faixa etária de 5 a 12 anos de idade e que os abusos tem crescido entre crianças de 0 a 4 anos. "O abusador, em primeiro lugar, continua sendo o pai, seguido pelo padrasto e avô. O abuso intra-familiar, dentro de casa, ocupa o primeiro lugar, com cerca de 80% dos casos".

Ela diz que o abuso ocorre em todas as camadas sociais, mas os serviços de atendimento da rede pública acabam sendo acessados pelas camadas menos favorecidas. Já na rede privada, o número de casos que chega ao conhecimento das autoridades já não é muito grande. "Nessas camadas mais favorecidas, as relações são mais privadas, e é por isso que é mais difícil de ocorrer a denúncia, mas, com certeza, ocorre", afirma.

Disque 100
No Brasil as denúncias são feitas através do Disque 100. Segundo o relatório mais recente do serviço, divulgado em agosto, desde 2004, foram registradas 2.937.394 atendimentos e encaminhadas 195.932 denúncias de todo o País. Atualmente o 4.995 cidades brasileiras, 90% do total, são atendidas pelo Disque 100. Diariamente são feitos 1.566 atendimentos, que somam 380.619 só em 2011.

Apesar dos números apresentados pela coordenadora do CRAI, o Sul do País é o que registra o segundo menor número de denúncias, com 10%. O Nordeste lidera o ranking com 39%, seguido pelo Sudeste, com 32%, Norte, com 11%, e Centro-Oeste, com 8%.

No entanto, a relação do número de denúncias com o número de habitantes aponta que os Estados do Sul ficam em segundo lugar no ranking, logo atrás do Sudeste. Em terceiro lugar aparece o Nordeste, seguido pelo Norte e Centro-Oeste.

Entre os Estados, o Rio Grande do Sul aparece em nono lugar. Os oitos primeiros são: São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão, Pernambuco, Ceará e Amazonas.