Oito iemenitas, incluindo cinco manifestantes, foram mortos em uma nova onda de violência na capital do país neste domingo (16), disseram autoridades hospitalares e testemunhas, e o dirigente Ali Abdullah Saleh disse que esperava que a China e a Rússia bloqueassem as ações da ONU (Nações Unidas) para encerrar seu governo.

Os dois países se uniram para vetar uma resolução contra a Síria, apoiada pela Europa, no início desse mês, mas não se esperava que eles bloqueassem a resolução contra o ditador Saleh, que será apresentada ao Conselho de Segurança nesta semana, disseram diplomatas em Nova York.

As forças de segurança iemenitas atiraram contra os manifestantes, matando pelo menos cinco pessoas na capital Sanaa neste domingo, disseram fontes de um hospital. A nova onda de violência elevou o número de mortos em dois dias para pelo menos 20.

Dois irmãos e um sobrinho morreram em um incidente separado, quando a casa deles foi atingida por uma bomba no bairro al-Qaa, segundo testemunhas. Elas disseram que a bomba explodiu durante os confrontos entre as forças de segurança do governo e combatentes antigovernistas.

"Até agora, temos quatro mártires e 13 feridos por balas", disse o doutor Muhammad al-Qubati, chefe de um hospital de campanha, montado pelos manifestantes na Rua Sixty (Sessenta), na capital Sanaa, onde milhares de pessoas estão acampadas há meses, exigindo que Saleh acabe com o seu governo de 33 anos.

As forças de segurança também mataram uma mulher de 52 anos, durante protestos na cidade de Taiz, disseram fontes médicas.

A violência no Iêmen, estrategicamente localizado no extremo sul da Península Arábica, aumentou nos últimos dois dias, com as forças de segurança matando pelo menos 12 pessoas no sábado, enquanto insurgentes da Al Qaeda explodiram um gasoduto, paralisando as exportações de gás do país pobre.

Os membros do Conselho de Segurança da ONU estão elaborando uma resolução para pressionar Saleh a entregar o poder sob a supervisão de um plano de paz do GCC (Conselho de Cooperação do Golfo).

Saleh diz que está pronto para renunciar, mas quer ter certeza de que o controle do país será colocado em boas mãos.