De sua varanda, Deodora da Conceição tem uma vista que lembra aqueles filmes sobre o dia seguinte a uma explosão nuclear: esqueletos de construções destelhadas, troncos retorcidos, blocos de pedra imensos, e a lama envolvendo tudo.

A informação é da reportagem de Claudia Antunes publicada na edição deste domingo da Folha (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).

A marca vermelha numa parede lateral indica que a casa em Campo Grande, em Teresópolis, na região serrana do Rio, é uma das condenadas depois da tromba-d'água de 12 de janeiro. A tempestade fez o morro desabar, o rio do Príncipe mudar de leito, e destroçou o bairro em que moravam cerca de 1.200 pessoas.

Conceição passou três meses pagando aluguel. Depois, foi à Justiça para que a luz fosse religada, e diz que nem ela nem os dois filhos sairão outra vez do conjunto de três moradias que ficou de pé apesar de tudo.