Com a rotina de mortes, assaltos, arrombamentos e furtos, moradores da Praia do Francês estiveram reunidos na noite desta quinta-feira (13) para tentar buscar soluções para dar fim a criminalidade na região conhecida nacionalmente pelas belezas naturais. A expectativa era a participação do prefeito de Marechal Deodoro, que não apareceu para revolta da comunidade.

O encontro foi uma iniciativa dos moradores que tentaram uma conversa informal com Cristiano Matheus, chefe do Executivo Municipal. Mas a reunião ocorreu sem a presença da autoridade o que gerou indignação dos presentes, que afirmam não suportarem mais os constantes e crescentes índices de criminalidade da praia.

O problema que atinge a região vem trazendo reflexos entre os turistas que já não observam mais na bela praia, de águas claras e areia fofa, seus ricos atrativos, mas sim a triste realidade de uma localidade que não há a participação efetiva das autoridades policiais.

A recente morte de uma manicure, Marta Semeão, e do estupro de uma turista brasiliense fizeram a população local querer dar um basta ao drama que são obrigados a enfrentar todos os dias. "O prefeito não apareceu e hoje teremos novamente que dormir com medo, já que podemos ser alvo desses bandidos", disse Dona Loredane, uma artesã, que mostrando um pedaço que seria usado para se defender em alguma necessidade.

Revoltados com o descaso da prefeitura em tentar solucionar o problema, os moradores cobram uma participação mais ativa de Cristiano Matheus. "Nós o elegemos para ser representante do povo, para falar por nós. Só que quando precisamos dele, ele não apareceu. Cadê o prefeito?", questionou outro morador, que recentemente teve sua pousada assaltada e sua esposa, gestante, feita refém.

Já outra empresária teve que mudar a rotina de seu estabelecimento comercial. Antes, funcionando até às 18 horas, a comerciante decidiu que para se proteger da ação dos criminosos começou a fechar as portas mais cedo. O fato vem se tornando algo cotidiano entre os empresários da região.

Enquanto não conseguem respostas e ações concretas do poder público, os moradores ameaçam organizar manifestações surpresas, o que, segundo eles, seria uma forma de pressionar o governo a dar uma maior atenção a região. "Vamos fechar a rodovia e impedir a entrada de turistas na praia, pois somente desta forma vamos obter um posicionamento que nos traga alguma alternativa", dizem os moradores.

Na reunião que contou com a presença de um representante do Poder Legislativo, ficou acordado que nesta sexta-feira (14) uma comissão estará entregando na Câmara Municipal um requerimento solicitando uma audiência pública, que deverá acontecer na próxima semana.