Jack Warner é o protagonista de um vídeo divulgado nesta quarta-feira pelo jornal inglês "The Daily Telegraph" em que ele supostamente oferece suborno aos dirigentes da Federação de Futebol do Caribe (CFU, na sigla em inglês) em nome de Bin Hamman.
Warner é ex-vice-presidente da Fifa e um dos cabos eleitorais do qatariano Mohamed Bin Hamman (que tinha planos de concorrer a eleição da entidade em junho passado),
No vídeo, datado de 11 de maio deste ano, a imagem de Warner não é mostrada nenhuma vez. Ouve-se apenas uma voz, que segundo o "The Daily Telegraph" seria do dirigente de Trinidad e Tobago. Ele indica como os cartolas devem lidar com os presentes em dinheiro oferecidos por Bin Hamman --embora ele não seja nomeado diretamente.
"Eu sei que algumas pessoas aqui se acham mais piedosas do que eu. Se você é piedoso, então abra uma igreja. O fato é que esse é nosso negócio. Vocês podem utilizar o presente como acharem melhor. Vocês têm de pagar salários, têm pagar taxas, têm de comprar equipamentos, enfim, é para ajudar no desenvolvimento", diz no início do vídeo.
"Se alguém tem consciência e quer devolver o dinheiro, eu estou disposto a devolvê-lo [a Bin Hamman] a qualquer momento. Mas pensem que se vocês não usarem, alguém pode usar. Dê para Trinidad e Tobago, dê para Antígua e Barbuda, dê para Barbados, para Ilhas Virgens Americanas. Mas não saiam por aí revelando isso, como se vocês fossem mais piedosos, santos e melhores do que qualquer outro. Espero que isso esteja claro", diz em outro trecho.
Bin Hamman, ex-presidente da Confederação Asiática de Futebol, não chegou a disputar a eleição da Fifa por causa da acusação de tentativa de compra de votos. Ele teria oferecido, por meio de Warner, US$ 40 mil (cerca de R$ 70 mil) a cada federação caribenha em troca de apoio.
O suíço Joseph Blatter foi reeleito em junho, sem adversários. Em 23 de julho, Bin Hamman foi expulso da Fifa pelo Comitê de Ética da entidade, após dois dias de audiência. Antigo aliado de Blatter, Bin Hamman foi o líder da campanha que fez do Qatar o organizador do Mundial-2022.