Os vereadores de Maceió criticaram hoje (11), durante sessão ordinária realizada na Câmara Municipal, o reajuste das passagens de ônibus. O assunto será discutido na próxima quinta-feira (13), pelo Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu), que vai analisar a planilha encaminhada pelos empresários do setor. Eles querem que o valor seja reajustado para R$ 2,49. Atualmente a tarifa é de R$ 2,10.
O vereador Ricardo Barbosa declarou que o aumento da passagem não pode ser debatido sem que antes seja realizada a licitação do transporte coletivo em Maceió. “Estamos iniciando processo licitatório dos serviços de transporte. Antes de se dar uma resposta à sociedade nesse sentido, já se discute o aumento das tarifas do transporte público. Isso não pega bem. É preciso repensar essa discussão. Precisamos ter sensibilidade e discutir os problemas que existem no setor antes de se falar em aumento da passagem”, frisou.
O líder do governo na Câmara, vereador Silvio Camelo, afirmou que a proposta de aumento da tarifa do transporte coletivo partiu dos empresários e não do município. “A Prefeitura não propõe aumento nenhum. Esse pleito é dos empresários do setor de transporte coletivo. É importante que essa discussão seja aprofundada, com a participação da Câmara”, salientou.
O vereador Marcelo Malta ressaltou que o Estatuto da Juventude, aprovado recentemente pelo Congresso, assegura a meia tarifa para o transporte coletivo. "É um assunto de grande relevância, que precisa ser discutido também", acrescentou Malta.
A vereadora Heloísa Helena declarou ser inadmissível a discussão de um aumento de passagem, sem que antes seja realizada a licitação. “Precisa melhorar as condições do transporte e os salários dos trabalhadores. A população não pode pagar por isso e sim os empresários, que devem aceitar a redução provisória nos seus lucros, que não são pequenos. Ninguém quer reduzir sua faixa de lucro e quer que a população pague, alegando que o aumento da passagem é por causa do reajuste dos trabalhadores. Isso não é verdade”, observou.
A vereadora Tereza Nelma defendeu que a definição do valor da passagem de ônibus deve retornar para a Câmara. “Antes o reajuste era votado pelos vereadores, após ser definido pelo Conselho Municipal de Transportes. Seremos contra o aumento de qualquer centavo”, afirmou.
Violência
O presidente da Câmara, vereador Galba Novaes, voltou a discutir o crescente aumento da violência em Alagoas. Ele informou que a ONU apontou o Estado como líder em violência no Brasil. “O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o presidente da Câmara, Pólice Neto, declararam várias vezes na imprensa nacional que a atividade delegada foi responsável pela redução da violência na capital paulista, que tem 12 milhões de habitantes”, disse Novaes.
Ele acrescentou que em Alagoas são 60, 3 mortes por 100 mil habitantes, bem acima de São Paulo que é exemplo de eficiência na redução da criminalidade. “São informações que saíram na imprensa nacional. Até quando todos esses dados serão ignorados pelo governo?”, indagou Galba Novaes.
O vereador afirmou que empresários alagoanos, em reunião com o governador Teotônio Vilela Filho, disseram que só vão pagar ICMS depois que o governo resolver o problema da violência. “Olha a que ponto chegamos. Faço um apelo ao governador, para que tire meu nome do projeto da atividade delegada, que diga que o projeto é mérito do governo, mas que o implante”, apelou Novaes.
O presidente da Casa de Mário Guimarães afirmou ainda que recebeu informações de dentro do comando da Policia Militar, que a corporação está sem combustível. “A ronda cidadã vai parar por falta de combustível. Mais um problema para o governo resolver, em vez de fazer discurso na TV, dizendo que Alagoas mudou. O que mudou em Alagoas foi o aumento da violência, do analfabetismo e do índice de desemprego”, alfinetou.
O vereador Paulo Corintho disse ser lamentável a Câmara discutir novamente a violência em Maceió. “O governo diz que a culpa é da gestão passada. Esse discurso não cola mais. Os alagoanos querem resultados práticos” , colocou.
Cei da Braskem
O presidente da Comissão Especial de Inquérito (Cei) da Braskem, vereador Marcelo Malta, apresentou requerimento solicitando extensão de 60 dias para conclusão dos trabalhos. Ele explicou que a prorrogação do prazo e necessária para realização de mais audiências e para que mais depoimentos sejam colhidos, complementando os subsídios já existentes.
“O que podemos adiantar do que já apuramos e que a Braskem não possui preparação em caso de vazamento de gás no bairro do Trapiche. Possui somente uma série de iniciativas para o Pontal da Barra. Tem que haver uma série de medidas junto aos moradores do trapiche também”, explicou Malta.
Subsídios
Ainda na Ordem do Dia, os vereadores fizeram a leitura do projeto que institui a política de subsídios para os servidores da Câmara Municipal de Maceió. A matéria será remetidas para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e deverá ser votada em primeira e segunda discussão na próxima terça-feira (18).
