A Arábia Saudita, a maior exportadora de petróleo do mundo, pode ser forçada a usar suas reservas para financiar seus programas de gastos, uma vez que a cotação do petróleo caiu abaixo do nível de equilíbrio orçamentário. No início do ano, o rei Abdullah anunciou um plano de US$ 130 bilhões para criar empregos e construir casas depois das revoltas populares da Primavera Árabe terem derrubado os líderes na Tunísia, Egito e Líbia.
Embora o governo saudita ainda não tenha se manifestado sobre se precisará emitir títulos da dívida ou usar suas reservas, como já fez há dois anos, um barril de petróleo abaixo de um nível de equilíbrio entre US$ 85 e US$ 90 - segundo estimativa do Citigroup - pode forçar uma ação. O total de ativos do Banco Central saudita caiu 0,3% para 1,93 trilhões de riyals (US$ 515 bilhões) em agosto sobre julho, segundo dado divulgado pela agência monetária saudita, que não explicou o motivo para esse declínio. Esta foi a primeira queda mensal desde fevereiro, quando os ativos caíram 0,4%.
'A única explicação é que eles vêm usando seus ativos para ajudar a financiar os gastos do governo, como ocorreu antes durante a crise financeira', disse Jarmo Kotilaine, economista-chefe do National Commercial Bank, com sede em Jeddah, em entrevista por telefone à Bloomberg. 'Somente os preços mais baixos do petróleo não explicam o declínio', acrescentou.
A Arábia Saudita usou suas reservas cambiais em 2009 para manter os gastos quando a pior crise financeira desde a Grande Depressão derrubou os preços do petróleo até o piso em US$ 34 por barril - o petróleo responde por 86% da receita do reino. Na ocasião, os ativos totais do BC caíram 8% para ao redor de 1,6 trilhão de riyals, quando o reino colocou em prática um pacote de estímulo de cinco anos de US$ 400 bilhões.
No domingo, o ministro das Finanças saudita, Ibrahim al-Assaf, disse que a receita do governo vai cobrir o aumento nos gastos deste ano, segundo reportou o jornal saudita al-Eqtisadiah. Em maio, al-Assaf disse que o governo não precisaria usar as reservas para financiar os gastos, incluindo um plano de desenvolvimento de cinco anos de US$ 384 bilhões, salvo um declínio na receita. Mas quando al-Assaf fez esse comentário o preço do petróleo oscilava acima de US$ 100 por barril. Desde então, os preços caíram mais de 30%, em relação à máxima de US$ 113,93 por barril registrada em abril, para abaixo de US$ 78 em Nova York.
'As reservas proporcionam um colchão para o governo cumprir seus compromissos de gastos no caso de uma queda na receita', disse Paul Gamble, chefe de pesquisa da Jadwa Investment Co, com sede em Riad. 'Não há motivo para emitir títulos da dívida se você tem reservas à sua disposição. Enquanto eles tiverem imensas economias, sempre irão preferir usar isso em vez de emitir títulos da dívida', acrescentou.
A Arábia Saudita está preocupada com a possibilidade da economia global 'estar entrando em um novo declínio de medo e fraqueza, especialmente nas grandes instituições financeiras na Europa', afirmou o presidente do Banco Central saudita Muhammad al-Jasser em uma entrevista dada em 28 de setembro.
Em resposta à incerteza econômica global, as autoridades sauditas vêm buscando ativos estrangeiros mais seguros, disse Turki Fadaak, chefe de pesquisa da Albilad Investment, com sede em Riad. A carteira de ativos estrangeiros do BC cresceu 0,8% para um volume recorde de 1,36 trilhão de riyals em agosto sobre julho, segundo dados divulgados pelo banco. Os ativos em moeda estrangeira e ouro cresceram 6,1% no mês para 169,3 bilhões de riyals em agosto.
A Arábia Saudita pode registrar um superávit fiscal de 1% do seu Produto Interno Bruto (PIB) este ano considerando uma receita excluindo petróleo estável e um crescimento de 40% nos gastos, segundo o analista Farouk Soussa, do Citigroup. 'Continuamos confiantes de que a Arábia Saudita tem espaço fiscal para absorver esse déficit (na receita), mesmo se tiver de recorrer aos seus consideráveis ativos fiscais ou através de emissão de dívida', disse Soussa.