O negociador palestino Nabil Shaath acusou neste sábado o representante do denominado Quarteto para o Oriente Médio, Tony Blair, de agir "como um diplomata israelense" e considerou que sua missão é "inútil" para os palestinos.

Em entrevista coletiva concedida em Ramala, Shaath avaliou ainda que a recente proposta do grupo (integrado pela Rússia, Estados Unidos, União Europeia e ONU) para retomar as negociações de paz é "vaga demais". "Ultimamente Blair fala como um diplomata israelense, dedicando-se a vender suas políticas, por isso é inútil para nós", destacou Shaath, um dos principais assessores do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

O negociador acrescentou que, embora a Autoridade Palestina não tenha solicitado ainda ao Quarteto que substitua o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, parece "óbvio" que Blair não conta com a aprovação da parte palestina. "Há uma verdadeira insatisfação entre os palestinos com a conduta de Blair, que mostrou uma atitude negativa durante nosso recurso à ONU", declarou Shaath.

Segundo ele, a declaração do Quarteto para a retomada o diálogo deixa "muito espaço aberto", e se tudo ficar sujeito à interpretação das partes "a negociação levará 20 anos". "Deve haver um árbitro que mostre o cartão vermelho quando alguém violar as regras", afirmou, destacando que o Quarteto deve dizer claramente que os assentamentos israelenses têm que ser interrompidos e a violência detida.

Com relação ao pedido de Abbas ao Conselho de Segurança da ONU para o reconhecimento da Palestina como Estado membro de pleno direito, Shaath afirmou que "há tentativas reais para evitar que os EUA tenham que usar seu direito de veto".

"Israel e os EUA estão exercendo uma tremenda pressão sobre os Estados-membros do Conselho para que os palestinos não consigam os nove votos necessários para que a reivindicação prospere, apesar de que nove dos 15 membros nos reconheceram como Estado e mantêm relações diplomáticas conosco", afirmou.