O primeiro-ministro interino líbio, Mahmoud Jibril, afirmou nesta quinta-feira que o governo transitório será anunciado após a libertação de todo o país, e negou que tivesse relação com o atraso de seu anúncio. Além disso, Jibril comentou que não deve fazer parte deste novo Executivo.
No seio do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia, formado por 43 pessoas, a ala mais islamita mostrou sua rejeição a que Yibril esteja no novo governo, enquanto os integrantes liberais e laicos apoiaram que continue como primeiro-ministro e, inclusive, como ministro de Relações Exteriores. "Quem quiser criticar que me critique pelo meu trabalho e não pela minha pessoa", acrescentou Jibril, ressaltando que todas as faturas e as despesas dos membros do CNT e do Escritório Executivo serão publicadas com "toda transparência".
O anúncio do governo transitório vem se arrastando desde agosto, quando o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, pediu a Yibril a constituição de um corpo executivo. No sábado passado, Jalil reconheceu a existência de "diferenças de opinião" no seio do CNT para formar um novo governo e apontou que o anúncio definitivo seria na próxima semana.
Em entrevista coletiva sem a presença de Jibril, Jalil explicou que o atraso na formação do executivo se devia à continuação dos combates em Sirte e Bani Walid e ao desejo de todas as tribos e cidades de terem representantes no novo governo. Por outra parte, na entrevista de hoje, Jibril comentou que nem todo o dinheiro das contas de Muammar Kadafi que tinha sido liberado havia sido recebido.
Além disso, o primeiro-ministro anunciou que as famílias das pessoas mortas durante os conflitos receberão uma ajuda mensal de US$ 285, assim como os familiares daqueles que continuam nas frentes de Sirte e Bani Walid. Jibril também destacou que uma equipe especial enviada pelo Brasil irá participar do desarmamento das minas, uma vez que a maioria destes artefatos foi fabricada no país, e apontou que países como o Egito e Sudão também ofereceram ajuda neste campo.