A Câmara Municipal de Maceió já chegou a ser chamada de “assembleinha”. Referência clara à Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, evidentemente. Desnecessário dizer que não é pelos discursos, pela oratória dos senhores deputados, nem mesmo pela ilibada postura de caixa de ressonância do povo (esta muito menos!). Mas sim pela possibilidade de – por trás de uma pintura de uma mão de cal – se esconder uma ‘caixa-preta’ de ações não transparentes que, vira e volta, surgem na imprensa.

Alguns caem no esquecimento; outros ficam eternamente pairando sobre a cabeça dos supostos responsáveis. Raros são os que são devidamente esclarecidos. O apelido de “assembleinha” parece bem posto? Que julgue o eleitor. Veja bem, agora surge o ex-presidente da Câmara Municipal de Maceió e atual deputado estadual Dudu Holanda (PMN) apontando o dedo para uma das composições da Mesa Diretora da Casa de Mário Guimarães, quando esta tinha Arnaldo Fontan (Democratas) como presidente e Galba Novaes (PRB) como primeiro secretário. Atualmente Novaes é o presidente.

O que diz Dudu Holanda? Que houve fraude no concurso que a Câmara tentou realizar e que agora devolverá o dinheiro aos candidatos! Ele diz mais: se for realizado outro concurso será fraudulento novamente! Bem, o elo que liga uma Mesa Diretora a outra é Galba Novaes. Estaria Dudu Holanda usando entrelinhas? E por que só agora que ele é deputado estadual e está distante da Casa de Mário Guimarães é que tem direito a voz? Se sabia antes, por que não disse? Conivência, corporativismo, ou pior, um caso clássico da política: as denúncias só surgem, quando algum político de rabo preso pisa no “rabo” do outro? Que não seja isto...

Quando presidente – é bem verdade – Holanda quis anular o certame, mas sem o alarde que hoje tenta impor ao tema. As denúncias do deputado devem ser investigadas. Necessário ir fundo nas práticas da Mesa Diretora daquela época. Galba Novaes – que era primeiro secretário – que está com a palavra! Arnaldo Fontan, também! Que se pronunciem sobre o assunto! Houve tentativa de fraude ou não? E no que consistia fraudar um concurso? Surrupiar dinheiro de candidatos? Enxertar a Casa de amigos e parentes? Perguntar não ofende; e ainda mais neste caso que se trata da coisa pública.

Entretanto, outro dado: Dudu Holanda era vereador na época em que o concurso foi supostamente fraudado. Calado estava, calado ficou até o ano de 2011. E agora saiu com a pérola na imprensa: “quem tentou fazer aquele concurso fraudulento, está tentando fazer novamente”. Precisa citar nomes, o parlamentar do PMN, futuramente no PSD? Precisa? Uma coisa é certa: Holanda deve saber de tudo que fez enquanto presidente da Casa para não temer rebordosas, pois suas mais recentes citações são “mísseis teleguiados”...

 

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