O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, atacou na quinta-feira na ONU o Ocidente por seus malfeitos, mas ignorou em seu discurso a questão do programa nuclear do seu país e a reivindicação palestina de reconhecimento à sua independência.
Em seu pronunciamento de 30 minutos à Assembleia Geral da ONU, o presidente iraniano também deixou de mencionar os movimentos pró-democracia que têm varrido o mundo árabe neste ano, inclusive na Síria, mais importante aliado árabe de Teerã.
Delegados norte-americanos abandonaram o plenário quando Ahmadinejad afirmou que "potências arrogantes" ameaçavam com sanções, pressão midiática e ações militares quem questiona o Holocausto e os atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.
Outras delegações ocidentais também deixaram o recinto, no que já se tornou uma constante nos discursos anuais de Ahmadinejad na ONU.
Ele acusou Washington de usar os "misteriosos" atentados do 11 de Setembro como pretexto para as guerras no Afeganistão e Iraque, e disse que as potências ocidentais "veem o sionismo como uma noção e ideologia sagradas".
A Casa Branca minimizou os ataques verbais de Ahmadinejad e acusou o governo iraniano de oferecer um "tratamento vil" aos seus próprios cidadãos. "Acho rico que o presidente iraniano tenha tais críticas", ironizou o porta-voz Jay Carney.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também lamentou o discurso de Ahmadinejad. "Ele não nos lembrou que governa um país que pode ter algum tipo de eleição, mas que também reprime a liberdade de expressão. Eles fazem tudo o que podem para evitar a responsabilização perante uma mídia livre. Eles impedem manifestações violentamente, e, sim, eles detêm e torturam aqueles que argumentam por um futuro melhor", disse Cameron.
Mark Kornblau, porta-voz da legação dos EUA junto à ONU, disse que Ahmadinejad "novamente recorreu a abomináveis insultos antissemitas e a desprezíveis teorias conspiratórias".
Em frente à sede da ONU, milhares de pessoas protestaram contra Ahmadinejad. A multidão, composta principalmente por iraniano-americanos, gritava "abaixo os ditadores, abaixo Ahmadinejad" e pedia a deposição do presidente, cuja reeleição, em 2009, foi marcada por suspeitas de fraude e desencadeou meses de protestos nas ruas do Irã.
"Esperamos ver que o povo do Irã seja representado na ONU por um funcionário democraticamente eleito", disse Hamid Azimi, engenheiro de computação na Califórnia.