O Sindicato dos Rodoviários do Distrito Federal promove nesta quarta-feira mais um dia de paralisações relâmpago no transporte público das cidades satélites de Brasília. As paralisações começaram na segunda-feira e pedem a assinatura de um acordo coletivo com a categoria.

De acordo com o vice-presidente do sindicato, Jorge Farias, as paralisações de hoje atingem Santa Maria e Ceilândia. "Ontem nós tivemos 2.400 trabalhadores que aderiram à paralisação, hoje 500 participam do ato em Santa Maria e Ceilândia", disse.

Para o líder sindical, o que falta é apenas a assinatura do contrato do acordo coletivo, já que as cláusulas já são cumpridas pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros e das Empresas de Transportes Coletivos (Setransp-DF). "Nós temos um acordo coletivo que é o melhor do país, por conta das conquistas que já tivemos, inclusive na área de planos de saúde. Este acordo foi fechado em junho, mas os empresários da Setransp não assinaram o acordo. Mesmo assim, eles cumprem o que está escrito lá", disse.

A falta de garantia preocupa os trabalhadores, que podem ter o acordo cancelado a qualquer momento. De acordo com os sindicalistas, o Setransp alega apenas que o acordo já é cumprido e ignora a necessidade da assinatura do contrato.

A DFtrans, empresa que regula os transportes do Distrito Federal, publicou na terça-feira uma nota contestando a atitude da Setransp. "O governo do Distrito Federal estranha a atitude adotada pelo Setransp-DF que, após exaustivas discussões realizadas no mês de junho deste ano, não assinou o acordo coletivo definido em mesa de negociação diante dos representantes dos rodoviários e do governo", diz um trecho do documento.

Declarando a atitude uma quebra de acordo firmado com os trabalhadores, a nota ordena que fiscais da DFTrans autuem os veículos que não estiverem cumprindo horários e/ou itinerários.

Essa atitude do governo, contra os empresários, anima os grevistas. "Vamos continuar com as paralisações, mas a DFtrans decidiu multar a Setransp e isso pode fazer com que eles negociem com a gente. Na sexta-feira vamos fazer uma assembleia geral para decidir se continuamos com as paralisações relâmpago ou adotamos uma greve geral, com os 12 mil funcionários", disse Jorge Farias.

Até a manhã desta quarta-feira, trabalhadores e empresas de transporte ainda não haviam chegado a um acordo sobre o tema.