O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reunirá na quarta-feira com o líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, anunciou nesta terça-feira a Casa Branca. O encontro, à margem da Assembleia Geral da ONU, acontecerá após uma reunião pela manhã entre Obama e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Até o momento, a Casa Branca havia afirmado que o presidente americano não tinha planos para se reunir com o líder palestino, que deve pedir nesta sexta-feira perante o Conselho de Segurança da ONU a incorporação da Palestina como Estado-Membro nas Nações Unidas. Tanto Israel como os EUA se opõem drasticamente a essa possibilidade e o governo americano já garantiu que a vetará, caso a iniciativa chegue ao Conselho de Segurança.
Nos últimos dias, os EUA exerceram fortes pressões diplomáticas para tentar dissuadir Abbas de suas intenções e entabular uma via que permita restabelecer as conversas diretas entre israelenses e palestinos. Altos funcionários americanos já se deslocaram à região, enquanto a secretária de Estado, Hillary Clinton, conversou por telefone com Abbas na semana passada.
Os EUA consideram que a iniciativa seria contraproducente, poderia criar mais violência e não serviria para avançar rumo à meta de dois Estados independentes que convivam em paz. Os americanos alegam que o único caminho para conseguir um verdadeiro Estado palestino independente é através de conversas diretas com Israel.
Essas conversas estão abandonadas há um ano, quando expirou a moratória israelense à construção de novas casas nos assentamentos na Cisjordânia. Abbas garante que a única maneira de restabelecer as negociações é com o respaldo que receberia após o reconhecimento do Estado palestino na ONU.
Para tanto, a Palestina necessita do voto afirmativo de nove membros do Conselho de Segurança e nenhum contra dos cinco permanentes (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França). As gestões do Quarteto para a Paz no Oriente Médio - formado por EUA, União Europeia (UE), ONU e Rússia - com os líderes palestinos e israelenses são contínuas na véspera do início dos debates públicos do 66º período de sessões da Assembleia Geral da ONU, que terminam no dia 27 de setembro.
No entanto, as reuniões do Quarteto não estão dando resultados, segundo confirmou nesta terça-feira o ministro de Relações Exteriores britânico, William Hague, e seus integrantes ainda não conseguiram pactuar uma declaração para relançar o processo de paz no Oriente Médio.