A Câmara Municipal de Maceió discutiu hoje (21) a falta de segurança pública que atinge toda a capital alagoana. Os vereadores criticaram o governo do Estado pelo descaso com a segurança da população nos bairros da periferia. O vereador Marcelo Gouveia debateu no plenário o fato de um posto de saúde, no Denisson Menezes, ter fechado às portas, por causa do toque de recolher imposto por traficantes.

“Os traficantes exigem obediência ao toque de recolher em todo o bairro. A população não pode ir às escolas, receber tratamento médico, ir a farmácia depois de uma determinada hora. Por causa disso, o posto de saúde foi obrigado a suspender os atendimentos. Os alunos não vão a escola com medo de serem assassinados. As pessoas pagam seus impostos e cumprem com suas obrigações cívicas, mas estão presas. Enquanto os bandidos estão livres. Quem não atende o toque de recolher paga com a própria vida. Isso não pode continuar”, desabafou Marcelo Gouveia.

O presidente da Câmara, vereador Galba Novaes, declarou que o posto de saúde do Denisson Menezes só pode funcionar até as 14h, segundo determinação dos traficantes. “E o mais revoltante é que nenhum policial vai ao bairro para dizer que o posto de saúde vai funcionar em horário normal. Ninguém diz: que venha os traficantes que iremos enfrentar e o posto de saúde vai funcionar. Por isso eu não vou me cansar de defender a atividade delegada”, frisou.

Galba Novaes também criticou o abandono do Estado com as políticas públicas. Ele acrescentou que diversas escolas estão abandonadas e citou como exemplo o Centro Profissionalizante Aurélio Buarque de Holanda. “O vereador acaba assumindo funções que não é dele. Como as políticas públicas não funcionam, nós nos vemos obrigados a promover o assistencialismo. Minha família realiza um trabalho filantrópico, com o Instituto Galba Novaes, para suprir as carências da população, que não tem onde praticar esportes e realizar seus campeonatos”, ressaltou.

Novaes afirmou ainda que é necessário maiores investimentos na educação e defendeu a jornada integral de ensino. “Essa experiência deu certo na cidade de Pato Branco, no Paraná. Está provado que a educação reduz a violência. Pato Branco era a cidade mais violenta do Paraná e hoje é a mais tranquila. Lá a evasão escolar não existe. Os alunos entram às 7h da manhã, saem às 17h e recebem todas as refeições. Porque não implantar isso aqui?”, indagou.

Redução de gastos

A vereadora Heloisa Helena declarou apoio aos projetos apresentados pelo vereador Galba Novaes, que visam reduzir os gastos no Legislativo municipal. Os projetos de número 196, 197 e 198 de 2011, tratam da revogação da Lei 5977, de 29 de dezembro de 2010, que aumenta o salário dos vereadores dos atuais R$ 9 mil para R$ 14 mil; altera o artigo 3º da Lei 5917, de 13 de setembro de 2010, reduzindo o valor das verbas de gabinete de R$ 9 mil para R$ 6.096,00; e reduz de 17 para 10 o número de cargos comissionados em cada gabinete de vereador da Câmara.

Heloisa Helena disse que irá apresentar requerimento para que os projetos tramitem em regime de urgência. “A maioria dos vereadores foi a favor do aumento do número de 21 para 31. Agora vou acompanhar quem vai votar favorável aos projetos que visam reduzir os gastos desta Casa”, declarou.

Os vereadores Paulo Corintho e Théo Fortes também manifestaram apoio às medidas apresentadas pelo presidente Galba Novaes. Corintho reforçou que as reduções irão atingir diretamente os bolsos dos vereadores.