O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse nesta segunda-feira que está sobre "tremenda pressão" internacional, mas não desisitrá do pedido de reconhecimento do país na Assembleia Geral da ONU.

Nas últimas semanas, o Quarteto para o Oriente Médio (EUA, ONU, União Europeia e a Rússia) tenta convencer os palestinos a retomarem as negociações de paz diretas com governo israelense -interrompidas no ano passado depois que Israel retomou a construção nos assentamentos.

Fontes palestinas citadas pela imprensa israelense dizem que o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, chegou a fazer concessões, incluindo mais flexibilidade na troca de terras para a formação da Palestina.

Mas os palestinos rejeitaram a proposta diante da pré-condição de reconhecimento de Israel como um Estado judeu e por não incluir garantias de que as terras trocadas sejam idênticas em tamanho e qualidade -essencial em um país majoritariamente desértico.

Ao chegar em Nova York para a Assembleia Geral, Abbas admitiu nesta segunda-feira ter ficado sob "tremenda pressão" internacional, mas disse que rejeitou as propostas de negociação diante de termos inaceitáveis.

Questionado sobre ameaças das autoridades americanas, Abbas disse ter ouvido, sem maiores detalhes, que "as coisas serão muito difíceis depois de setembro".

Há meses, membros do Congresso Americano ameaçam cortar parte dos US$ 500 milhões em assistência econômica e de segurança se os palestinos insistirem com o voto na ONU.

PEDIDO À ONU

Abbas confirmou nesta segunda-feira ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que na próxima sexta-feira (23) apresentará o pedido de adesão de seu país à organização.

Ele comunicou a Ban "sua intenção de entregar a ele na sexta-feira sua solicitação para (que a Palestina se torne) membro de pleno direito das Nações Unidas", informou o porta-voz da ONU, Martin Nesirky, que ressaltou o desejo do secretário-geral de que "sejam retomadas as negociações" entre palestinos e israelenses.