A Justiça do Irã adiou nesta terça-feira a libertação dos dois americanos condenados por espionagem que tinha sido prometida pelo próprio presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad. O advogado dos detidos, Massoud Shafii, informou que Shane Bauer e Josh Fattal continuam presos porque "o juiz que deveria assinar o documento de libertação dos dois decidiu prolongar suas férias".
"Falta apenas uma assinatura para a libertação dos dois. Como me disseram que o juiz voltava de férias na terça-feira, fui ao tribunal, mas ele não estava", explicou o advogado. Bauer e Fattal foram detidos em 31 de julho de 2009 junto com Sarah Shourd quando supostamemente faziam uma trilha em uma região do Curdistão que é alvo de disputas entre Irã e Iraque.
Os americanos, que afirmam ser inocentes, garantem que se perderam e que em nenhum momento tinham intenção de entrar no Irã, aonde chegaram após serem chamados por uma patrulha que vigiava a região. Sarah foi liberada depois de pagar uma fiança de US$ 500 mil em agosto de 2010, dias antes da viagem de Ahmadinejad a Nova York, onde o governante participará da Assembleia Geral da ONU, e em meio a uma polêmica entre o Executivo e o Poder Judiciário iranianos.
Ahmadinejad anunciou na semana passada a libertação de Bauer e Fattal pelas mesmas "razões humanitárias" que o levaram a decidir por soltar Sarah. No entanto, no dia seguinte, o Judiciário iraniano negou que ambos seriam liberados sob fiança, e informou que o pedido do advogado dos dois americanos ainda estava sendo analisado.