Quatro grandes operações da Polícia Federal estão em risco no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão da corte de anular as provas da Operação Boi Barrica fez crescer a mobilização de importantes bancas de advocacia do eixo Rio-São Paulo-Brasília em favor dos réus apanhados em outras operações como a Navalha, que foi deflagrada em Alagoas e outros oito estados.
Além da Boi Barrica, que investigava parentes da família Sarney e da Navalha,os réus de outras duas operações podem ser beneficiados, Mãos Limpas e Caixa de Pandora. Em todos esses casos, já há no STJ recursos nos mesmos moldes do que obteve sucesso e anulou a Boi Barrica.
No caso da Boi Barrica, os ministros da 6.ª Turma do tribunal consideraram ilegais interceptações telefônicas feitas durante as investigações, o que no entender do STJ contamina as provas contra os réus, entre os quais Fernando Sarney, acusado de crimes financeiros e lavagem de dinheiro
O que foi a Operação Navalha
A Operação Navalha deflagrada pela Polícia Federal do Brasil no dia 15 de maio de 2007 visou desbaratar esquemas de corrupção relacionados à contratação de obras públicas feitas pelo governo federal. As supostas acusações levaram à queda do ministro das Minas e Enegia Silas Rondeau na semana seguinte.
A operação foi deflagrada em nove estados (Alagoas, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Goiás, Mato Grosso e São Paulo) e no Distrito Federal e a Justiça Federal expediu 48 mandados de prisão. Foram presas 46 pessoas, entre empresários, prefeitos, um deputado distrital, um ex-governador e um ex-deputado federal.
Como funcionava
De acordo com a Polícia Federal, no topo do esquema estava a Construtora Gautama, com sede em São Paulo e filiais em Alagoas, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro e Sergipe
A empresa supostamente direcionava editais para fraudar licitações de obras de interesse da quadrilha e estaria infiltrada no governo federal e em governos estaduais e municipais, No nível intermediário, segundo a PF, estavam os auxiliares, que atuariam no contato com autoridades e pagamento de propina.
Em seguida, vinham os políticos e ex-políticos, responsáveis por auxiliar nas ações da quadrilha. Supostamente recebiam propina e "presentes", como carros de luxo, em troca de favores prestados ao grupo.
Os alagoanos envolvidos
Veja os alagoanos envolvidos que são citados, além de Zuleido Veras, chefe da quadrilha:
Zuleido Veras - dono da Gautama e apontado como chefe da quadrilha;
Maria de Fátima Palmeira - diretora comercial da Gautama e era o braço direito de Zuleido. Segundo as invetigações, ela ocuparia posição de destaque na quadrilha;
Abelardo Sampaio Lopes Filho - engenheiro e diretor da Gautama em Alagoas. Segundo as investigações, ele seria responsável pelas medições irregulares no Estado. Teria tido atuação destacada dentro da quadrilha nas obras da BR 319, no Amazonas;
Bolívar Ribeiro Saback - empregado da Gautama em Alagoas, trabalharia como lobista negociando a liberação de recursos públicos para a organização criminosa;
Rosevaldo Pereira Melo - empregado da Gautama em Alagoas, também atuaria como lobista ao lado de Bolívar. Antes de trabalhar na Gautama, foi servidor público da Companhia de Água e Saneamento do Estado e usaria sua influência para conseguir recursos para a quadrilha;
Tereza Freire Lima - secretária da Gautama. Participaria do esquema providenciando o pagamento de propinas;
Adeilson Teixeira Bezerra - Na época secretário de Infra-estrutura de Alagoas. Teria participado ativamente na liberação da ordem de pagamento para a Gautama em março desse ano no valor de R$ 3,1 milhões. Em troca teria recebido propina de R$ 145 mil;
Denisson de Luna Tenório - subsecretário de Infra-estrutura de Alagoas. Teria recebido propinas para emitir parecer favorável à aprovação de medições favoráveis ao grupo, mais especificamente para obras no rio Pratagy;
José Vieira Crispim - diretor de obras da Secretaria de Infra-estrutura de Alagoas. Teria participado das negociações para pagamento antecipados de medições para a Gautama de obras que ela não executou;
Enéas de Alencastro Neto - representante do governo de Alagoas em Brasília. Teria pressionado o secretário de Infra-estrutura do Estado, Adeílson Bezerra, para que fizesse pagamentos de medição à Gautama por serviços não realizados. Segundo as investigações, teria recebido em troca R$ 150 mil do dono da empresa;
Márcio Fidelson Menezes Gomes - ex-secretário de Infra-estrutura de Alagoas. Teria recebido propinas enquanto estava no cargo para liberação de recursos públicos para a Gautama independente da medição de obras;


