Imagine um partido onde um deputado diz na tribuna que o seu colega de partido tinha sido denunciado pelo Ministério Público por ter contraído um empréstimo irregular para financiar a campanha de outro deputado, também do seu partido.

Um partido onde o primeiro suplente na Câmara critica rotineiramente pelas Redes Sociais o seu “colega” e segundo suplente que detém um cargo na administração municipal, um partido onde a única prefeita eleita no Estado está presa por suspeita de assassinato, imagine este partido.

Pois é isto que vem acontecendo com o PT de Alagoas, o partido da presidente Dilma parece não precisar de inimigos fora da legenda em Alagoas, já que é capaz de criar suas próprias crises por meio de seus integrantes.

Esta semana é decisiva para a legenda que, no meio de tantas brigas, tenta se arrumar visando a eleição de 2012, o primeiro ponto é a resolução da crise entre os dois deputados estaduais do partido, Ronaldo Medeiros e Judson Cabral.

Medeiros, que é considerado muito mais ligado aos irmãos Calheiros do que aos seus próprios correligionários trombou pela segunda vez nesta legislatura com o colega Judson, petista histórico, líder de votos entre a população,mas longe de gozar força política no partido.

Na primeira vez, durante a votação sobre o aumento dos deputados, Judson e Medeiros tinham combinado votar contra, mas no dia, Ronaldo mudou de idéia e votou a favor, contra a orientação do partido e de Judson, que ficou sozinho.

Agora na segunda vez a situação foi mais grave, Medeiros foi até a tribuna e para espanto de Judson Cabral disse que o indiciamento de Paulão, ex-deputado do partido, aconteceu porque ele pediu um empréstimo para financiar a campanha de Judson.

Após a declaração Ronaldo Medeiros voltou atrás três dias depois e prometeu se desculpar publicamente com o colega, que exige, de acordo com o que foi apurado pelo Cadaminuto, que Medeiros diga, também na tribuna da Assembléia, quem foi que passou esta informação para ele.

O segundo ponto é a provável filiação de Galba Novaes no PT, mas não o vereador, presidente da Câmara Municipal, que hoje é dono de uma legenda em Alagoas, o PRB, mas seu filho, que deverá ser seus sucessor no legislativo municipal e ainda vai ajudar a legenda a levar mais outros dois integrantes para a Casa.

Repete-se então a estratégia ocorrida na Assembleia Legislativa, quando a filiação de Ronaldo Medeiros e Marquinhos Madeira, outro petista que não segue as orientações do partido, fez com que o PT tivesse três deputados na casa.

A eleição de 2012 pode ainda dar ao partido um outro presente, as prováveis candidaturas de Joaquim Beltrão em Coruripe e Rosinha da Adefal em Maceió, podem levar Paulão e Pinto de Luna, justamente os dois que vivem trocando farpas, para a Câmara Federal. Agora só falta o partido se entender, ou não.