A Grã-Bretanha desbloqueará 600 milhões de libras (US$ 950 milhões de dólares) de bens líbios congelados por resoluções das Nações Unidas para ajudar o Conselho Nacional de Transição (CNT), anunciou nesta quinta-feira em Londres um porta-voz do primeiro-ministro britânico David Cameron.

"Vamos colocar a disposição cerca de 600 milhões de libras em ativos líbios", afirmou o porta-voz de Downing Street à imprensa, enquanto Cameron realizava uma visita a Trípoli junto com o presidente francês, Nicolas Sarkozy. "São bens que foram congelados por resoluções anteriores da ONU", acrescentou.
Na Líbia, Cameron afirmou que a Grã-Bretanha que pretende agilizar a liberação do resto do montante congelado. "Nós já liberamos um bilhão de libras em ativos e se pudermos aprovar a resolução da ONU que vamos apresentar com a França amanhã (sexta-feira), há mais 12 bilhões de libras em ativos só na Grã-Bretanha que buscaremos descongelar", disse Cameron em entrevista coletiva na capital líbia.

Cerca de 12 bilhões de libras (US$ 19 bilhões) de ativos líbios foram congelados no âmbito das sanções impostas em fevereiro e março pelas Nações Unidas contra o regime do ex-líder líbio Muammar Kadafi. O CNT, que reúne as novas autoridades líbias, pediu recentemente uma ajuda de urgência de US$ 5 bilhões.

No dia 1 de setembro, no fim da Conferência de Amigos da Líbia em Paris, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou o desbloqueio imediato de US$ 15 bilhões de bens congelados de Kadafi.

Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.

A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque. Na dia 23 de agosto, os rebeldes invadiram e tomaram o complexo de Bab al-Aziziya, em que acreditava-se que Kadafi e seus filhos estariam se refugiando, mas não encontraram sinais de seu paradeiro. De acordo com o CNT, mais de 20 mil pessoas morreram desde o início da insurreição.