Durante o lançamento do Prêmio Braskem de Jornalismo na manhã desta quarta-feira (14), a presidente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal), Valdice Gomes, rebateu – veementemente – os ‘ataques’ dos deputados Cícero Ferro (PMN), João Beltrão (PRTB) e Temóteo Correio (DEM) ao modelo do ‘jornalismo alagoano’.

Para Valdice Gomes, quando o jornalismo é tratado de forma coerente e coeso sempre ‘existe um movimento contrário a isso’. “Os ataques não vão nos intimidar, os jornalistas alagoanos podem ter certeza que vamos cobrar respostas das autoridades responsáveis sobre essas declarações dos parlamentares. Estamos exercendo a nossa profissão com dignidade e respeito”, esbravejou.

Ainda segundo ela, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também rebateu as declarações dos parlamentares e se mostrou indignada com a maneira como os profissionais da imprensa têm sido tratados em discursos inflamados de representantes dos poderes constituídos em Alagoas. “As tentativas de afrontamento e ameaças serão levadas a instituições internacionais com objetivo de garantir a liberdade e/ou assegurar o direito ao livre jornalismo”, salientou.

O diretor de Relações Institucionais da Braskem, Milton Pradines, também se fez presente no lançamento e condenou as declarações e ataques dos deputados. “Assim como em todas as profissões, existem erros e acertos, no entanto, prefiro um jornalismo que erre ao silêncio preocupante da imprensa”, destacou, reforçando que todos são passíveis de críticas.

Ontem, durante sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), o deputado Temóteo Correia (DEM) levantou, mais uma vez, a bandeira de questionamentos ao trabalho da imprensa, em especial de uma jornalista que faz a cobertura da Casa de Tavares Bastos.

Por mais de uma hora, Cícero Ferro, João Beltrão e o respectivo parlamentar se mostraram vítimas de uma situação que os incomoda. “Olhe bem, em nenhum momento fizemos qualquer tipo de ameaça ou coisa do tipo. Colocamos aqui, no parlamento do povo, uma situação de crítica e rebatemos de forma legal e oportuna. Agora, eles acham (imprensa) que são intocáveis?” questionou o parlamentar, que lançou um desafio.

“Tenho mais de 25 anos de vida pública e nunca ameacei ninguém ou algo do tipo. Duvido que apareça alguém que prove o contrário”, frisou. Correia também propôs um desafio. “Quero que peguem as minhas declarações e analisem e diga, de forma clara, se fiz alguma ameaça a qualquer jornalista. Duvido”, exclamou.

O deputado Cícero Ferro fez coro às declarações e expôs que o debate não leva a lugar nenhum, já que os jornalistas têm uma opinião formada sobre os parlamentares. “Na verdade, somos sacos de pancada, isso sim é verdade”, esclareceu, revelando que existem ‘alguns jornalistas ‘idiotas que não merecem respeitos’ e outros que fazem por merecer toda consideração.

Em nota oficial, a Fernaj expôs ainda que tem sido frequentes esses ataques, sobretudo de parte daqueles que se sentem incomodados quando a sociedade toma conhecimento de seus atos – nem sempre nobres e condizentes com a representatividade de que estão revestidos.

A liberdade de imprensa é um dos instrumentos mais eficazes de construção da democracia, e temos consciência da responsabilidade social da nossa função. É por meio da informação livre e democrática que a sociedade acompanha atos e posturas dos homens e mulheres que fazem e executam as leis, consolidando, assim, a formação de opinião para cobrar posições e fundamentar suas escolhas.

Lutar por esse direito é um dever nosso – entidades e profissionais comprometidos com a verdade e a ética – e de toda a sociedade, e deveria ser, também, de todos os que se revestem da representatividade popular, seja no Legislativo, no Executivo, no Judiciário, ou em qualquer esfera do exercício do poder público.