O pernambucano Maciel Melo realizou na noite desta quarta-feira, 14, a abertura do Projeto “Quartas da Boa Cultura” no Cine Sesi Pajuçara. O cantor e compositor interpretou grandes clássicos do forró pé de serra no projeto que terá três estilos culturais, como música, teatro e humor.


Maciel Melo não é apenas um cantor e compositor que recriou o forró nos anos 90, é hoje uma referência da música nordestina, cuja estrutura revolucionou a partir do xote Caboclo sonhador, popularizado por Flávio José e Fagner, e pelo próprio autor.

O público alagoano desfrutou de um espetáculo encantador, com Maciel recitando em forma de poesia como foi fazer suas canções. Esta é a quarta vez do artista em Maceió. "Estou muito feliz de está de volta. Esse é um show que particularmente eu sou fascinado, porque como o espetáculo é pequeno, eu chamo de 'show na cozinha', porque eu estou mais perto do público", disse.


Hostória

O primeiro disco de Maciel Melo, lançado às duras penas em 1989, um bolachão de vinil, chama-se Desafio das Léguas. Já na estréia o artista sabia que a caminhada não seria fácil. Um trabalho ousado para um desconhecido. Desafio das Léguas (que está por merecer um relançamento em CD) tem participações de Vital Farias, Xangai, Dominguinhos, e Décio Marques. Como esses medalhões da música dos sertões foram parar num LP de um novato? Elementar, talento reconhece talento. Eles gostaram, de cara, das canções que Maciel lhes mostrou.

Assim como Baião foi composta por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira num prédio comercial no Centro do Rio, Caboclo Sonhador foi feita por Maciel Melo no Centro de São Paulo, onde passou algum tempo, tentando domar a megalópole.

Como os melhores poetas do repente, a Maciel Melo basta-lhe um mote para nascer uma música. O Solado da Chinela, por exemplo, que dá nome ao seu nono disco, foi inspirada, acreditem, num par de chinelos velhos, daqueles bem surrados e confortáveis, testemunha de muitas histórias.