O presidente estadual do Partido Popular Socialista (PPS), Régis Cavalcante, considerou estarrecedora a provável participação da prefeita Sânia Tereza (PT) na morte do vereador por Anadia, Luiz Ferreira (PPS), e confirmou que o partido estará acompanhado de perto todas as investigações sobre o caso.
Desde o assassinato, ocorrido no dia 03 deste mês, os indícios apontavam para um crime com motivação política, já que Luiz Ferreira passou para a base da oposição da prefeita e anunciou numa rádio sua candidatura ao Executivo Municipal. Sem fazer julgamentos, Cavalcante disse apenas que espera o esclarecimento total da execução do vereador.
“O que nós almejamos é o esclarecimento por completo deste crime, parta de onde quer que seja. Mas se for concretizado, se existem subsídios que comprovem a participação da prefeita isso é algo estarrecedor. Não podemos deixar que a política chegue a esse baixo método de sustentação de poder”, declarou.
O representante do partido disse que ainda que irá esperar a finalização do inquérito para poder emitir uma opinião sobre o caso. “Se a prefeita for mesmo responsável pela morte do vereador isso evidencia as nossas intuições de que o crime tinha cunho político. Isso é ainda mais grave se for confirmado. Como uma prefeita pode chegar a esse ponto?”, indagou Cavalcante.
Na última sexta-feira (09), Régis Cavalcante chegou a desmentir Sânia Tereza durante uma entrevista numa rádio de Maceió, revelando que Luiz Ferreira não desejava o apoio da prefeita visando à sucessão eleitoral no município.
Apesar da prefeita alegar, desde o início, que Luiz Ferreira era seu aliado, o CadaMinuto divulgou com exclusividade os reais acontecimentos na política anadiense. O vice-prefeito José Augusto – primo do vereador – em entrevista ao portal afirmou que Sânia Tereza estava insatisfeita com os novos rumos do parlamentar.
Luiz Ferreira sempre foi tido como o elo entre o Legislativo e o Executivo de Anadia e a mudança de lado poderia gerar muita dor de cabeça para Sânia Tereza, já que seu voto era considerado o de minerva, numa votação que poderia decidir pelo afastamento da prefeita. Essa votação, que aconteceria na quinta-feira anterior ao crime acabou sendo adiada por conta de uma queda de energia.
“Isso já havia sido anunciado por ele à prefeita e a toda a equipe dela e estava tudo certo. Mas, a administração não aceitava a saída dele e tentava mantê-lo do lado do governo. Ele era um homem que lutava pela verdade e fazia o que era o certo, sem ter que agradar ninguém”, desabafou Augusto em recente entrevista.
No dia seguinte, Luis Ferreira esteve reunido com outros oito vereadores e o vice-prefeito numa festa do vereador José João, na cidade de Taquarana. No local, o parlamentar contou que seguiria para Anadia onde tinha um encontro marcado com o secretário de Ação Social do município, Luis Oliveira.
“Segundo o que meu primo nos contou o Luis Oliveira havia o convidado para uma reunião, já que queria articular sua saída do PT para o PPS. Este foi o terceiro convite feito pelo secretário ao meu primo. Tanto que ao seguir para Anadia, o Luis Fernando levou uma ficha de filiação que seria preenchida pelo Oliveira”, contou o vice-prefeito, lembrando que secretário é o 1º suplente de vereador e ficará com o cargo deixado por Luis Fernando.
Sobre o resultado da reunião, José Augusto disse desconhecer, já que não chegou a reencontrar o primo, que foi assassinado no sábado, um dia após o encontro. “Não sei dizer o que foi acordado entre eles. Foi em Taquarana a última vez que estive com ele e só saberia o saldo do encontro no sábado à tarde, quando iria revê-lo”.
O crime
O vereador foi assassinado quando viajava pela rodovia AL 450, nas imediações do povoado Tapera, quando seu veículo foi interceptado e o vereador foi alvejado com cerca de 12 tiros. A vítima retornava de Maribondo, onde havia acabado de conceder entrevista a um programa da Rádio Farol Sat.
O vereador tinha 61 anos era irmão do engenheiro civil Aloísio Ferreira, presidente do CREA/AL.
