Um Michel Temer mais sorridente do que de costume sentou-se ao lado da presidente Dilma na posse do ministro Mendes Ribeiro (Agricultura), no fim de agosto. Chegou a trocar comentários ao pé do ouvido de Dilma.

Na cerimônia, se despedia de um aliado, Wagner Rossi, e empossava outro.

Apesar da turbulência no Ministério da Agricultura, galgava mais um passo rumo ao difícil núcleo de decisão do governo Dilma.

De lá para cá, Temer só conquistou pontos com a presidente. Presente nas principais reuniões do Planalto, conseguiu ser ouvido por uma chefe com fama de ser refratária às contrariedades.

Segundo assessores da presidente, coube a Temer insistir para que o governo cedesse na votação da emenda 29 (que eleva gastos com saúde) e segurar, no Congresso, propostas difíceis para os cofres do governo, como a PEC 300, que cria um piso salarial nacional para policiais.

Desde antes da campanha presidencial, em 2010, Dilma tinha dificuldades em confiar em Temer, que, na eleição de 2002, junto com o PMDB, apoiou o adversário José Serra (PSDB) contra Lula.

(...) Outro fator decisivo para a melhora na relação foi a intervenção de Lula. Em meio à crise na Agricultura, Dilma ouviu Lula repetir que a única pessoa que ela podia estar certa de que terminaria o governo ao seu lado era Temer.