Mesmo negando a sua participação no desvio de cerca R$ 10 milhões nas verbas da Caixa Beneficente da Polícia Militar, o advogado Tributarista e trabalhista, Claúdio Coelho foi acusado pelo presidente do órgão, Coronel Ivon Berto, como o principal articulador do esquema. O coronel Ivon Berto voltou a reunir a imprensa, na manhã desta sexta-feira (09) para apresentar novas provas materiais e testemunhas contra o advogado.
Se comprovada sua participação, o advogado Claúdio Coelho pode responder criminalmente por estelionato, falsificação ideológica e apropriação indébita. Conforme o advogado da Caixa Beneficente, Cristiano Machado neste primeiro momento a instituição filantrópica irá ingressar com uma representação junta Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas, e uma representação criminal no Ministério Público Estadual (MP/AL).
“Posteriormente entraremos com uma ação civil para reaver todo o patrimônio que foi desviado de maneira criminosa”, completou o Cristiano Machado.
O envolvimento do ex-presidente da instituição, Coronel Adrualdo Goulart não foi descartada pelo Coronel Ivon Berto. “Estamos no início das investigações, mas podemos afirmar que o Coronel Goulart mantinha uma relação estreita com o advogado. Por isso, pedi o afastamento do coronel da Presidência do Conselho Deliberativo, para que as investigações possam ocorrer de forma clara e rápida”, garantiu Ivon Berto, completando que certamente o advogado agiu com apoio de dirigentes das antigas gestões.
Irregularidade
A denúncia sobre o desvio de cerca de R$ 10 milhões foi descoberta e feita pela diretoria da Caixa Beneficente da Polícia Militar, Coronel Ivon Berto, durante uma coletiva de imprensa. O coronel assumiu a direção da entidade há quatro meses e afirmou ter encontrado diversas irregularidades nas contas, após a realização de uma auditoria. Além de encontrar o rombo milionário na instituição filantrópica, o Coronel afirma ainda ter descoberto um esquema de fraudes em guias de recolhimento trabalhistas.
A irregularidade veio à tona após a entidade ter sido informada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de que os depósitos referentes às faixas de recolhimento de verbas trabalhistas não estavam sendo entregues. Segundo o Coronel, ao entrar em contato com o órgão, a entidade descobriu que as guias de recolhimento apresentadas pelo advogado eram falsificadas.
Durante um período de cinco meses, deixaram de ser recolhidos R$ 40 mil. A investigação agora será feita para saber se existe participação do advogado Cláudio Coelho, que é apontado pela diretoria como o grande articulador do esquema, que já dura aproximadamente 10 anos. “O dinheiro recolhido deveria ter sido depositado pelo advogado, mas descobrimos que isso não era feito. Quando fomos comunicado dos atrasos e apresentamos os comprovantes, a Caixa nos informou que todos eram falsificados”.
Ivon Berto disse ainda que ao cobrar explicações do advogado, foi informado que os depósitos eram realizados e que se houve falsificação partiu de um funcionário da Caixa Econômica Federal, cujo nome não foi divulgado à imprensa.
Mas isso foi apenas a ‘ponta do iceberg’ como definiu Ivon Berto. Após uma análise minuciosa nas contas da entidade, a diretoria constatou que um esquema ainda maior desviou cerca de R$ 10 milhões. Isto porque, os relatórios da auditoria apontaram que dos pagamentos pecuniários das pensões de viúvas de militares foram desviados R$ 1,5 milhão.
Além disto, outros R$ 8 milhões de débitos previdenciários foram verificados na entidade.
Durante os 10 anos de esquema, a entidade foi presidida pelos Coronéis Adroaldo Goulart (2001-2003); Rubens de Freitas Goulart (2004-2005); e José da Silva Coutinho (2006-2010). Atualmente, o Coronel Adroaldo Goulart ocupa o cargo de presidente do Conselho Deliberativo da Caixa Beneficente e por isso, seu afastamento, já que as investigações sobre o caso deverão acontecer pelo conselho. Quem irá ocupar o lugar é o Coronel Praxedes.
O atual presidente informou ainda que as cópias das denúncias serão entregues aos Ministérios Públicos Estadual e Federal (MPE e MPF) que devem acompanhar o andamento das investigações. Ivon Berto também já esteve na sede da Polícia Federal, onde informou o suposto envolvimento de um funcionário público federal no esquema de falsificação de guias.

